Arandu Arakuaa: Descrição faixa a faixa do álbum Kó Yby Oré.

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A banda Arandu Arakuaa está em fase de produção do seu segundo álbum; enquanto não sai o lançamento, vamos rever algumas informações sobre o CD de estreia da banda, o Kó Yby Oré.

Segue uma matéria de Jéssica Gartz, postada no Whiplash, em que o guitarrista Zândhio Aquino descreve todas as faixas do álbum.

T-atá îasy-pe (Fogo para a Lua) 04:02 – a faixa de abertura do álbum é pesada e intensa, com uma introdução tribal, muitos efeitos de guitarras e linhas de baixo muito legais. Depois descamba para o peso de vez com uma pegada mais thrash metal. A parte final desta música apresenta melodias que é bem a cara da Arandu Arakuaa.

A letra versa basicamente sobre sair para admirar e saudar a lua

E-îori e-îori îasy (vem vem lua)

Îa-îu nde o-mo-eté (viemos louvá-te)

Oro-î-mo-endy t-atá (vem acendemos o fogo)”

Esta música funciona muito bem ao vivo e o solo de guitarra é o meu preferido do álbum.

Aruanãs (Espíritos da Água) 03:56 – tenho um carinho especial pro esta música, pois a compus entre 2002 e 2003 e ela de alguma forma é referencia no meu estilo de compor. Os riffs de guitarras são bem pesados alternando com arranjos de viola caipira e a bateria está matadora. Começa com vocais limpos emendando com os mais gritados e os guturais logo aparecem. Nas partes com vocais guturais a voz grave de Saulo complementa bem a voz agressiva e potente de Nájila, aliás, utilizamos muito esse recurso no decorrer do disco.

Depois do solo de viola caipira a música termina com um hardcore quebradão de fazer qualquer fã de Ratos de Porão abrir a roda.

A letra fala sobre o mito de origem dos índios Karajá que moravam no fundo do rio. Interessados em conhecer terra firme, um jovem encontrou a passagem e fascinado pelas praias e riquezas do Araguaia muitos Karajá subiram também. Anualmente na festa de Aruanãs os espíritos de seus ancestrais aquáticos sobem até a superfície para celebrar.

Kunhãmuku’~i (Mocinha) 03:10 – está presente no nosso CD demo e aqui tem seu potencial elevado com novos arranjos e ótima produção. Nos vocais tribais da introdução, as maracás e o pau de chuva dão um toque muito especial. Esta música é realmente pesada com os vocais limpos, guturais e os gritos tribais dando o tom. É uma música bem Arandu Arakuaa e tocá-lo é sempre muito intenso.
A letra faz referência ao rito de puberdade das índias da etnia Tikuna que em sua primeira menstruação escondem-se na mata e assim que encontradas por suas mães ficam trancadas em suas casas por cerca de três meses para se protegerem de espíritos maus e aprenderem sobre sua tradição. Passado esse período são recebidas na aldeia com festa, chamada “Festa da Moça Nova”, onde homens vestidos com fantasias representando diversos espíritos da floresta dançam e cantam por dias a fio. Ao fim da festa, as mulheres mais velhas arrancam os cabelos das mais novas.

Yby sy, o-poir ‘anga (mãe terra alimenta o espírito).

Yby sy o-mbo’e, yby sy o-mbo’esara (mãe terra ensina, mãe terra é mestra)”

A-kaí T-atá (Queime-me no Fogo) 03:24 – começa bem calma com os violões e os teclados seguidos pelas maracás. As linhas de vocais limpos são realmente belas. Não demora e o peso chega com riffs mais quebrados e Nájila mostrando sua influência de death metal berrando a pleno pulmões. O refrão apresenta um riff hard rock muito legal. A música termina lá encima com as influências hardcore comendo solta e Adriano espancando seu kit sem piedade. Apesar das mudanças de andamento, as diferentes partes se conectam bem e deixando a música grandiosa.

A letra tenta passar a visão de um prisioneiro de guerra sobre seus inimigos momentos antes de sua execução.

A-moîar a-obaîara (encurralado, sou o inimigo)

Ixé a-sykyîé um~e, xe r-asy, xe r-asy-eté (eu não tenho medo, tenho dor, tenho muita dor)

Ixé a-sykyîé um~e, a-kaí t-atá, t-atá pupé (eu não tenho medo, queime-me no fogo, dentro do fogo)”

O-îeruré (Rezem) 03:28 – os riffs da parte principal são pesados e rápidos, vocais gritados e agressivos e a cozinha fuzilando. O refrão dela apresenta “um riff van valen metal baião” como diz o Saulo. Nas gravações o produtor Caio Duarte falou “hey cara vamos colocar um arranjo de viola caipira no refrão” isso deu a ela um brilho especial. Mais para o final tem uma passagem com vocais limpos e viola caipira e logo os vocais sedem espaço para um solo de viola caipira com a cozinha abusando das influências nordestinas.

A letra fala sobre luta e superação

O-sasab t-atá o-káîo moxy (cruzem o fogo quebrem a maldição)

O-porará asy, ere-ru nde abaeté (suportem a dor, trazes tua bravura)

A’e-ré o- kuî, a’e-ré o-îeruré (depois disso caia, depois disso rezem)”

Tykyra (gota) 01:55 – um pequeno instrumental acústico conduzido pela viola caipira, a cozinha quebrando tudo com as influências nordestinas e as maracás dando o tom das influências indígenas. É uma faixa que se conecta bem com a proposta do disco e apesar de acústica não tem nada de redondinha e fofinha. Música regional com pegada roqueira executada por músicos de garagem.

Tupinambá 04:24 – outra presente no nosso CD demo que aqui conta com uma excelente produção e novos arranjos deixando-a mais pesada, sombria e tribal. É uma canção muito forte, que funciona bem ao vivo e o refrão gruda na cabeça.
A letra é baseada no livro “Viagem ao Brasil” no qual o aventureiro alemão Hans Staden narra como foi sequestrado e quase morto em um ritual de canibalismo por índios da etnia Tupinambá que viviam no litoral norte paulista em janeiro de 1554.

Îakaré ‘y-pe (Rio dos Jacarés) 02:05 – não há guitarras, vocais rasgado/guturais ou pedal duplo. Violão, viola caipira, bateria, baixo acústico, maracá, pau de chuva, vocais limpos e tribais dão a ela um clima especial. É uma música simples com uma bela interpretação de Nájila. Seu timbre suave dá um toque todo especial a esta música. No refrão os gritos tribais com todo mundo cantando junto deixa o clima caótico levando o ouvinte a se sentir em uma aldeia indígena em dia de festa.
A letra abordada de forma divertida os perigos que as crianças correm ao tomarem banho em rios e igarapés infestados por jacarés.

Auê! (Salve!) 03:23 – Mais uma música presente no nosso CD demo que no álbum ganhou uma versão realmente matadora. Mescla muito bem o peso às influências nordestinas e indígenas. Conduzida pelos riffs de guitarra e os arranjos de viola caipira. Os gritos tribais alternando com vocais limpos e guturais deixa a coisa oscilando entre o belo e o caótico. O refrão ganhou um tratamento todo especial com o instrumental mais trabalhado deixando o vocal mais agressivo e pronto para voar.
A letra fala sobre dançar e cantar como forma de agradecimento à mãe natureza.
A música termina com um solo de viola caipira do qual tenho muito orgulho, com a cozinha e os violões fazendo um excelente trabalho. Adriano sempre ouviu música brasileira, então ele tem a pegada certa para essas levadas. E Saulo, bem ele é o melhor baixista que Adriano poderia querer, os dois tocam juntos desde sempre e o entrosamento é realmente fantástico.

A-î-kuab R-asy (Conheço a Dor) 03:48 – começa climática e sombria com andamento arrastado, mas logo chega o refrão que é mais na veia metal clássico. Depois descamba para um riff de guitarra de levantar defunto da cova com a cozinha e os vocais mantendo tudo lá em cima e em seguida o solo de guitarra.
A letra é basicamente um lamento do índio que tem que viver longe de sua terra e seus costumes. Creio ser esta a letra que mais me orgulho de ter escrito neste álbum.

A-î-kuab r-asy a-î-kuab mba’e (conheço a dor conheço as coisas)

Xe abá-ere’oka, xe abá-ere’taba (sou o índio sem casa, sou o índio sem aldeia)

O-î- îuká yby sy, o-î-îuká xe ‘anga (mataram a mãe terra, mataram minha alma)”

 Kaapora (Caipora) 04:18 – é de certo a música mais pesada do álbum. Depois de uma rápida introdução já cai de cara no refrão com tudo alto e rápido como uma música que fala sobre o Kaapora tem que ser. Depois segue alternando com momentos mais pausados e pesados. O solo de guitarra serve como ponte para a parte final mais tribal com uma melodia simples e marcante bem típica da Arandu Arakuaa, esta parte é uma das minhas preferidas do disco.

A letra é caótica e divertida onde o conhecido protetor dos animais “Kaapora” pega pesado com os caçadores.

Abá o-îuká o-moîar o-asem o-îabab (homens que matam encurralados gritam e fogem)

O-îabab o- mosykyîé, o-nhe-mim ka’a oby-pe (fogem assustados, escondem-se na mata verde)

Kaapora o-moîar (o caipora encurrala)”

Gûyrá (Pássaro) 03:49 – música presente no vídeo clip. Caio Duarte fez um grande trabalho na elaboração dos arranjos vocais no início da canção. Os violões e os teclados dão o clima certo pra os vocais voarem. No cântico tribal reverenciamos nossos ancestrais e isso tem uma grande carga emocional. Na parte que a música deslancha Caio Duarte veio com a excelente ideia de inserir os arranjos de viola caipira antes de cair de vez no peso. Os vocais limpos e a viola seguindo o riff mais heavy metal deixou a parte final mais poderosa e elegante.

Tudo gira em torno da letra que fala sobre liberdade, materializada na figura de um pássaro.

Moxy Pe~e Supé Anhangá (Maldição para Vós Espírito Maligno) 04:01 – gravada em nosso CD demo e na versão do álbum mudamos bastante os arranjos e parte da estrutura. O instrumental ficou mais pesado e elegante com a inserção de algumas notas dissonantes na parte rápida e o solo de guitarra mais melódico. A cozinha está feroz e o vocal extremamente agressivo. Na parte que era o refrão incluímos um cântico tribal o qual gravei bastante emocionado. Lembro-me de Caio Duarte comentando “uau cara, isso ficou muito bom e verdadeiro!”. Depois a música segue para sua parte final onde começa com vocais limpos e aos poucos vai cedendo espaço aos guturais.

Lembro-me de ter criado este riff no berimbau e depois de criar as linhas vocais o transportei para a guitarra.

A letra tenta passar a visão dos jesuítas coloniais e missionários atuais que na tentativa de cristianizar os índios transformam seus deuses em demônios cristãos.
Não poderíamos pensar em uma música melhor para encerrar este álbum.

FICHA TÉCNICA

Nájila Cristina – Vocais

Zândhio Aquino – Guitarra Viola Caipira, Vocais Tribais, Violão, Teclado, Maracá, Apito.

Saulo Lucena – Baixo, Baixo Acústico, Vocais de Apoio.

Adriano Ferreira – Bateria, Percussão, Maracá.

Caio Duarte – Produção e Masterização

Leandro Lestat – Arte de Capa

FONTE:Whiplash.

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MAIS INFORMAÇÕES EM Arandu Arakuaa.

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