ENTREVISTA: Erick Artmann.

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Erick Artmann.

Erick Artmann é um escritor e desenhista que tem se dedicado à 9ª arte, principalmente através de seu personagem Tupinanquim.

O autor nos concedeu uma excelente entrevista, em que nos fala, entre outras coisas, sobre a sua carreira como artista, sobre seu trabalho como ambientalista, e sobre a importância de valorizarmos a temática nacional através da arte.

CulturaBR – Quem acompanha o seu trabalho percebe sua preocupação em tratar de temas ligados à cultura e à sociedade brasileira. O que te motivou a escolher essa temática para a sua produção artística?

ERICK – Sempre fui meio nativista, até bairrista, no bom sentido eu acho. Desde criança eu comecei a ter essa consciência de que havia uma grande indústria cultural estrangeira, que era o que consumíamos. Eu adorava os quadrinhos de super-heróis, mas sabia que o cenário era um pouco distante; os personagens Disney pareciam um pouquinho mais próximos, porque muitas de suas histórias em quadrinhos eram produzidas aqui pelos estúdios da Abril; mas o único personagem regionalizado era o Zé Carioca, e ainda trazendo aquela imagem de malandro, preguiçoso ou trapalhão que limitava bastante a temática. A exceção era a turma da Mônica, e na TV, o Sítio do pica-pau, mas eram temáticas limitadas a universos infantilizados, quando eu e certamente milhares de crianças queríamos ler e assistir aventuras mais abrangentes com personagens adultos. Tanto que, quando comecei a fazer quadrinhos e escrever ficção, os primeiros personagens que criei eram adultos, e os temas, relacionados à ficção científica, que eu sempre amei, mas em essência influenciados já pela minha experiência pessoal e social vivida na adolescência, o que já se afastava um pouco dos estereótipos da cultura de massa estadunidense, mesmo que desenho e narrativa fossem bastante imaturos. Publiquei algumas coisas em fanzines e outras foram pra gaveta, tanto em quadrinhos quanto em ficção escrita. No último fanzine que cheguei a publicar antes de criar o Tupi, fiz uma história em quadrinhos que homenageava e ironizava a vida noturna da minha cidade, mas com uma feiticeira gringa como protagonista. Certa vez conversei sobre essas temáticas com um amigo, o Leonardo Wambier, que respondeu com a “máxima do Máximo Gorki”, que nunca mais esqueci e me incentivou a buscar mais ainda os cenários e questões locais: “Se queres ser universal, fale sobre a aldeia em que nasceu”.

CulturaBR – Como surgiu o personagem Tupinanquim?

163233_483403408559_383945_nERICK – Isso foi depois que me tornei pai! Mas pra entender melhor é preciso contar também a parte mais dramática: aos 19 anos eu sofri um grave acidente de moto, e complicações com fraturas na perna esquerda me deixaram mais ou menos de muletas durante vários anos. Quando eu tinha 21, meu filho mais velho nasceu, e naqueles longos intervalos entre as muitas cirurgias eu passei a maior parte do tempo com ele, acompanhando todo o processo de seu crescimento, que é uma coisa maravilhosa. Isso automaticamente me influenciou, trazendo à mente e ao papel pela primeira vez um personagem infantil que parecia ter potencial. A primeira versão do Tupinanquim era inspirada no meu filho: um menininho pouco mais velho do que ele era de fato (então com 3 anos), loiro de cabelo liso com aquele corte de cabelo que na época chamávamos de “surfista”, mas que é inspirado nos cortes de cabelos de algumas culturas indígenas! Surgiu o trocadilho do nome, associando tupiniquim, que como adjetivo caracteriza tudo o que teria origem no Brasil, com nanquim, a tinta que na época usávamos pra desenhar. Fiz algumas tirinhas e cheguei a passar para um conhecido que era editor de um jornal cultural, mas eu era tão inocente que lhe entreguei os originais sem fazer cópias. O jornal não publicou e chegou a ter um recesso de alguns anos, quando esses originais devem ter se perdido. Enquanto isso eu continuei fazendo fanzines, exposições de quadros, criei super-heróis tão detalhados que não dei conta de concluir nenhuma história até hoje (rs);  e em 1997 produzi uma revista de quadrinhos adultos chamada Surreal – quadrinhos psicodélicos, que era a evolução de um fanzine de mesmo nome, e no fim, em duas páginas do boneco dessa revista que não chegou a ser publicada por falta de patrocínio e umas complicações que me levaram (mais uma vez) a perder os originais, estava o Tupinanquim como ele realmente é e sempre devia ter sido: um índio que mora na cidade, ou um jovem cidadão que pinta o rosto e preserva a cultura dos avós, ama a natureza e vive aventuras com uma turma etnicamente bem diversificada. Nessa turma, meus filhos reaparecem nas páginas das histórias com nomes sutilmente relacionados com os originais, onde o Mozart virou Wolfgang e o Leon virou Félix; depois surgiu o Ivis, e agora falta apresentar a Iarinha, a exemplo do mestre Mauricio que não deixou nenhum dos seus filhos sem a versão desenhada; e a mãe dela também já cobrou essa personagem. De 1998, quando apresentei o Tupinanquim como meu principal personagem numa exposição de quadrinhos, até hoje, estou descobrindo as suas características, aprendendo um pouco mais sobre as culturas nativas pra poder escrever as histórias, e aos poucos tudo foi se encaixando. É como se o personagem estivesse ali o tempo todo, mas dependesse de estímulos imprevisíveis na vida do autor para que tomasse forma em nosso mundo, adaptando-se com o que é possível miscigenar entre um mundo de arquétipos, outro de nossas fantasias pessoais, com as influências de leituras e o mundo real.

CulturaBR – O personagem Tupinanquim também faz parte de uma obra sua dedicada à poesia, o livro Desenhos de Linguagem. Fale um pouco sobre esse trabalho.

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Desenhos de Linguagem.

ERICK – Faço poesia desde os 12 anos, e através dessa arte vivi experiências muito legais; mas pra juntar a minha obra poética em livro havia um problema, que eram as diferenças temáticas e até de estilos, já que comecei com poemas meio contestadores, depois passei por uma fase evangélica e no fim da adolescência, mais revoltada e até psicodélica e esotérica. Na fase adulta os poemas ficaram mais sérios, maduros, diria até mais verdadeiros, o que coincide também com o momento em que me tornei pai; mas eram raros, eu escrevia mais prosa e quadrinhos. Mesmo assim cheguei a elaborar o projeto de um livro que juntava o melhor de todas as fases, apresentadas em capítulos. Um dos capítulos fugia dessa ordem cronológica, quase auto-biográfica, e trazia poemas curtos, trocadilhos ou haicais leminskianos, esses que não seguem a métrica do haicai oriental. No fim, foi esse capítulo, chamado desde o início de “curtas & gratas”, que se tornou o projeto de um novo livro e por fim tornou-se a parte principal do livro Desenhos de Linguagem.

A inspiração para esses poemas curtos veio de amigos como o José Chemin, que costumava registrar seus trocadilhos geniais em pequenas pedras, e do próprio Leminski, o primeiro autor que busquei (e emprestei todos os livros) na biblioteca da Universidade quando entrei no curso de Letras, em 2001. Nesse período, a volta à sala de aula trouxe o relacionamento mais profundo com a língua portuguesa, novas paixões… Mas o que mais estimulou e provavelmente amadureceu essa poesia foi uma experiência coletiva, o grupo Aliterária, que fundei junto com alguns colegas dos cursos de História, Letras, e amigos com quem já costumava ler poesia em botecos. Foi a fase mais produtiva depois de adulto, entre 2001 e 2004. Depois, revendo o “curtas & gratas”, percebi que minha poesia a partir de determinado momento se tornara extremamente visual, tanto que dependia de uma diagramação/formatação muito própria, que se perdia, por exemplo, ao inscrever os poemas em qualquer concurso, que exigem certa formatação básica. Então juntei todos esses que, de alguma forma, brincavam com a linguagem, inclusive alguns mais longos (entre os quais uns poemas que tinham nomes de figuras de linguagem, como Paranomásias e Aliterações), com alguns desenhos do Tupinanquim que considero poemas ilustrados, e surgiu o livro Desenhos de linguagem!

Uma coisa importante sobre esse livro é que eu o fiz de forma inteiramente artesanal, com qualidade final parecida com a de uma editora. Consegui patrocínio para a primeira edição da capa, feita em off set, e eu mesmo imprimi as páginas internas em impressora laser colorida de uma loja de suprimentos, que emprestou o equipamento e bancou o toner. No fim, a parte mais trabalhosa foi o acabamento, já que eu mesmo costurei a encadernação de cada livro com agulha de costura mesmo, e inventei um jeito de colar a capa, com resultado parecido com o das grandes gráficas. Confeccionei entre 200 e 300 cópias, e agora estou tentando me animar pra começar tudo de novo e fazer uma nova edição, mas dessa vez já tenho uma impressora laser pra fazer em casa. Outra coisa importante sobre esse livro é que a temática não é infantil, apesar da capa e ilustrações com o Tupinanquim. Ele serve a qualquer idade, tem sua leitura extremamente simples para os mais jovens, mas alguns poemas trazem mensagens sutis que só serão compreendidas por leitores mais velhos. Você também pode ler todos os poemas em menos tempo do que o prefácio ou essa resposta (rs), mas certamente poderá fazer muitas releituras diferentes.

CulturaBR – O que despertou seu interesse pela Cultura Indígena?

ERICK – Meus quatro avós vieram da Alemanha, então não há nada genético, mas é algo que me atrai desde a infância e faz parte daquele nativismo que mencionai antes. Por exemplo, eu era fascinado por uns arcos e flechas de enfeite, enormes, que meus pais tinham comprado de índios que viviam na cidade natal da minha mãe, Candido de Abreu. Filmes de faroeste também me atraíam mais pelos índios do que pelos caubóis, e sempre fui muito atraído pela temática acerca das civilizações pré-colombianas. Na adolescência eu li muitos quadrinhos brasileiros com temas adultos, da editora Grafipar por exemplo, e um dos meus autores preferidos, o mineiro Mozart Couto, explorou esse tema de forma maravilhosa com o personagem Ubajara. Nesse período cheguei a criar uma personagem indígena, Nambá, a brava guerreira, que foi a primeira que enviei para avaliação numa editora, a Press; e apesar dos desenhos toscos, ganhei ao menos uns conselhos do editor Franco de Rosa, que não apenas me respondeu na seção de cartas de uma das revistas, mas depois respondeu uma segunda carta minha diretamente, de punho, e essa atenção foi estimulante.

Depois de adulto a simpatia pela temática e pela cultura indígena tornou-se uma paixão e comecei a ler mais e mais, comprei dicionário Tupi-português, idealizei outro personagem relacionado, que por enquanto está na gaveta, e enfim surgiu o Tupinanquim que, de certa forma, acabou também me ensinando muito: esse “curumim urbano” representa um ideal que em alguns aspectos está se concretizando um pouco, com o acesso de indígenas à universidade, o acesso à internet em aldeias… Mas ainda é uma utopia como visão social, em que o índio represente tanto a sociedade brasileira quanto o seu povo específico, e possa ser desde artesão até doutor ou presidente, onde possamos fazer a transferência de culturas de forma de fato evoluída, cada um de nós aprendendo e assimilando sem destruir, e a construção da identidade brasileira possa ser um pouco mais brasileira, algo com que o romântico José de Alencar já sonhara no século XIX. É surpreendente como ainda tem gente que acha que os índios não fazem parte da sociedade, que devem ficar só no mato, com o mínimo de interferência da “civilização” possível, isolados numa “reserva”, que é um termo idiota: o correto é “terra indígena” e mesmo dentro dela eles precisam interagir com o resto do país, até para poder melhor preservar, mas também porque são, como nós, o povo brasileiro. Quem pensa que não, provavelmente espera que um dia eles desapareçam e se tornem apenas lembranças românticas em filmes e páginas ilustradas.

Agora, sobre a minha experiência com a cultura e a causa indígena, o que ainda falta é justamente um maior convívio, visitar aldeias, talvez viver um tempinho em uma pra ter a troca de conhecimentos na prática. Tenho alguns amigos indígenas que moram em cidades ou aldeias não muito distantes, e contatos pela internet com pessoas de aldeias em outros estados, mas o convívio direto com a cultura nativa é algo que ainda preciso experimentar.

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CulturaBR – Outro tema recorrente em sua obra é a questão da Conscientização Ecológica. Na sua biografia, no blog Tupinanquim, há a informação de que você é membro do Grupo Ecológico dos Campos Gerais. Como foi a sua aproximação com o grupo e qual a contribuição dessa experiência para o seu trabalho?

ERICK – Quando eu tinha 17 anos vim morar numa pequena chácara, onde vivo até hoje, e isso aprofundou bastante a minha relação com a questão ambiental, que já era algo importante. O Grupo Ecológico foi fundado por alguns jovens ambientalistas em 1990, e conheci os caras numa feira de ciências logo depois disso, quando me inscrevi como membro. No entanto, embora tenha participado de alguns trabalhos ligados a esta e a outras ONGS naquela época, desde plantar árvores até denunciar crimes ambientais, só me envolvi efetivamente com o GECG a partir de 1996, depois que me livrei das muletas que mencionei no início dessa entrevista. Dali até 2001, o Grupo teve atuações importantes na nossa região, e me orgulho de ter participado da maioria delas e coordenado pelo menos uma, que foi o projeto Frutificar, quando produzimos e distribuímos centenas de mudas de árvores frutíferas nativas na região. Mas acho que a nossa geração não conseguiu passar a bola para outra mais jovem no início desse século; tivemos muitos problemas relacionados à burocracia, desanimamos com dificuldades em levar adiante alguns projetos e embates, e o grupo “quase” desapareceu, tendo sido mantido como entidade ativa por pequenas atuações de alguns membros (a mim coube representar a ONG no conselho de patrimônio até poucos anos atrás); hoje há uma boa possibilidade e grande necessidade da volta, com membros jovens.

No meu trabalho artístico essa experiência valeu muito, como lição de vida, pelo que aprendi com as dificuldades, e como inspiração, não só porque o tema ambiental está presente, mas também em alguns detalhes, por exemplo: no universo ficcional do Tupinanquim, o Tipuxáua, seu pai, trabalha numa entidade ambientalista chamada Ecoporanga, e o curumim o acompanhará em muitas aventuras com esse tema, algumas vezes viajando num jipe vermelho, e eu também tinha um jipe (na verdade um Niva) vermelho na época que participei do Grupo Ecológico. Por enquanto só uma HQ com essa característica foi publicada, num gibi educativo chamado “Os arroios urbanos de Ponta Grossa”, encomendado pela prefeitura de Ponta Grossa em 2004; mas outras, não relacionadas a nenhum projeto necessariamente educativo, já estão escritas e pelo menos uma, em que o Tupi visita seu priminho Krwmym numa aldeia distante, está metade pronta e estará no gibi do Tupinanquim que devo lançar o mais breve possível.

CulturaBR – Você tem formação em Letras e é um artista da 9ª arte, que muitas vezes é menosprezada pelos especialistas em Literatura. Na sua opinião, os quadrinhos têm potencial Literário, ou seja, você acredita que há a possibilidade de produzir obras de Literatura através das Histórias em Quadrinhos? Por quê?

ERICK – Com toda certeza! História em quadrinhos é um tipo de literatura, e isso fica mais claro quando lemos autores geniais, sejam complexos como Alan Moore, mais espontâneos como Laerte ou as duas coisas, como Eisner. Hoje, em alguns casos já se usa a expressão “romance gráfico”, traduzida do inglês “Graphic novel”. Eu não sei se é necessário algum tipo de campanha de valorização dessa arte em relação às outras, porque ela já está entrando no cânone por si só, muito por influência dos japoneses que se dedicam demais a ela, muito por todo o histórico de aceitação popular em tantos países ao longo de décadas. Talvez devêssemos pensar em acelerar esse reconhecimento no conteúdo didático, mas aos poucos estão surgindo os trabalhos acadêmicos sobre quadrinhos (eu também fiz um na minha graduação, mas sem o status de um TCC que ainda não existia no curso daqui); e existe uma outra questão que é o charme meio marginal dos quadrinhos. Eu por exemplo adoro chamar uma revista em quadrinhos, ou mesmo a arte da HQ, simplesmente de gibi, que é como nós chamávamos na infância, coisa tão simples e acessível, e ao mesmo tempo faz referência à molecagem, menino negro, que era o que deliberadamente pretendia simbolizar na origem da revista que emprestou esse nome, há 76 anos.  Acho que há sim um problema de acesso ao mercado editorial, mas esse problema existe também nas outras artes, e quanto mais complexa é a produção e mais polêmico seja o tema, maior será a dificuldade e é por isso que são desafios; em alguns casos certas obras podem levar décadas para chegar ao conhecimento do público. A internet hoje ajuda um pouco, mas uma obra de ficção esmerada e inovadora, provavelmente será algo difícil na produção, no acesso à publicação ou divulgação em massa e possivelmente na recepção inicial do público, seja em quadrinhos, literatura, cinema, tv, teatro ou videogame.

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CulturaBR – Você é um artista que valoriza a Cultura Nacional; mas segue sua carreira de forma independente, assim como a maioria dos artistas que trabalham essa temática. Há artistas que preferem o trabalho independente, mas há quem busque um lugar no mercado tradicional e não o encontre; mesmo na mídia tradicional há pouco espaço para a divulgação desses trabalhos. Na sua opinião, por que isso acontece? Você acredita que a sociedade brasileira não tenha interesse na nossa Cultura, na nossa História?

ERICK – Acho que somos alienados, e a culpa é de um sistema econômico que prioriza a venda de coisas muito iguais produzidas em quantidades muito grandes por poucos e poderosos produtores, geralmente de outro país ou que gostam de imitar o outro país. Sempre houve movimentos contrários a isso e sempre tudo evoluiu muito lentamente, mas evoluiu, tanto que a língua portuguesa assimilou milhares de vocábulos indígenas, a cultura geral assimilou muitas lendas; o Guarani, Iracema e I-juca-pirama tornaram-se clássicos, a semana da arte moderna tornou-se matéria obrigatória e Monteiro Lobato e Ziraldo ficaram famosos escrevendo e desenhando histórias miscigenadas com a cultura nativa. Recentemente a turma do Xaxado ganhou prêmios e um melhor acesso ao mercado, e foi muito importante que isso tenha acontecido enquanto o seu criador, o Cedraz, ainda estava vivo! Um dia chegará a vez de outros que estão aí lutando. Tem o indiozinho que usa camiseta amarela e colar de dentes, por exemplo… rs… E tem um blog sobre cultura brasileira de uma escritora apaixonada por essa coisa toda que está ajudando a divulgar essas artes! Na verdade tem muita gente boa fazendo coisas legais, se eu fosse citar mais alguns seria injusto com outros, então fica a dica pra quem gosta, que serve também pra mim mesmo que sou meio alienado, pra procurar mais conhecer esses autores, obras e iniciativas, e o seu blog realmente ajuda muito.

Sobre a valorização da cultura nativa, ou produzida no país, ou na aldeia de cada um, a contra-capa do primeiro gibi do Tupinanquim mostrava o curumim com os braços abertos e o slogan “dê um abraço na cultura brasileira: leia, ouça e assista arte produzida em nossa terra”. Depois essa “propaganda” teve outras versões, inclusive em adesivos e ímãs para geladeiras que eu devo recomeçar a produzir logo, junto com outros modelos de adesivos e cartões do personagem.

Agora, sobre a opção de seguir pela trilha independente, nem eu me entendo. Por um lado gostaria de publicar em grande ou média editora, sem me preocupar com a caça ao patrocínio, a divulgação, a própria confecção dos livros ou gibis, e recebendo o valor justo pelo trabalho. Mas isso é uma pegadinha com a nossa moral… Afinal, o mercado é justo? Será um dia? O Bill Waterson, criador do Calvin, é um bom exemplo de alguém que encontrou um meio-termo interessante, num país onde teve facilidade pra publicar suas tiras, distribuídas pelos syndicates, mas onde esses mesmos syndicates exigiam que a imagem do seu personagem fizesse propaganda de refrigerante ou vendesse bonequinhos e ele disse NÃO! Aqui tudo é ainda mais difícil e, por uma atração natural pelos caminhos tortuosos e sombreados, quando eu ainda fazia fanzines criei um selo chamado À Margem e acabei adotando-o também nas publicações do Tupi.

CulturaBR – Caso queira, deixe algumas considerações para os leitores. 

ERICK – Tentando não alongar ainda mais… rs. Só queria convidar os leitores a conhecer, curtir e, se gostarem, compartilhar as postagens do Tupinanquim nas redes sociais; e dizer que estou retomando o projeto do gibi, que será inteiramente colorido, e já posso adiantar que a primeira edição reunirá histórias, entre aventuras mais longas e HQs bem curtinhas, com o tema ambiental. Não tenho certeza, mas é provável que seja uma edição independente com recursos financiados através do catarse, e aí precisarei de ainda mais apoio dos leitores. Breve estarei divulgando mais detalhes e muitas imagens legais do projeto no blog e no face , além das tirinhas, cartuns e outras novidades. O livro Desenhos de Linguagem deverá estar disponível já nas próximas semanas, e também os adesivos do Tupi.

Quero agradecer muito a oportunidade de falar tudo isso aqui, adorei o trabalho de divulgação, pesquisa e reflexão que você faz no Cultura BR e desejo ecossuera moangaturama… Vida longa e próspera!

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