CONTOS BR: Lendas no Novo Mundo.

novo mundo faceNo século XVII novas cidades estavam se formando na América. O Nordeste do Brasil era muito disputado entre os Impérios europeus, pois era um ponto estratégico para o desenvolvimento do comércio.

Em 1654, forças luso-brasileiras conseguem resgatar a região tomada pela Holanda e, nesse contexto, apresento um personagem que veio de longe para viver uma grande aventura.

Em meio a piratas e lendas, personagens fictícios se misturam à História.

Tente descobrir o que é real e o que é fantasia no conto Lendas no Novo Mundo.

LENDAS NO NOVO MUNDO

Francélia Pereira

O galo canta mais uma vez. O ano é 1654; mais um dia começa em Recife, a maior e mais rica metrópole do Novo Mundo.

— Dia, Seu Geraldo!

Um homem levanta o chapéu de palha e cumprimenta o conhecido.

— Dia…

Geraldo responde automaticamente, enquanto segue pela rua em direção à sua casa, cambaleando e segurando uma garrafa de cachaça.

Ao colocar a chave na porta de madeira, pintada de azul, ela se abre.

— Êita que a muié dexô a porta aberta de novo…

Geraldo atravessa a sala e quase cai, então toma mais um gole da bebida. Quando chega na porta do quarto do casal, ele para. A cena faz com que Geraldo solte a garrafa no chão, fazendo um barulho que acorda a esposa… E o homem que dormia ao lado dela.

— Cabra da peste… Eu lhe arranco o coro agora mesmo!

Geraldo diz em voz alta, com muita raiva, enquanto o homem se levanta, veste a calça apressado e pega, no caminho até a janela, sua blusa, o cinto e as botas. Ele então salta pela janela enquanto Geraldo segue com dificuldade até ela.

Da janela Geraldo pragueja.

— Gomes, fio duma égua… Vou te matar, seu cabra!

A certa distância, Gomes ri e responde de forma debochada.

— Dia pro sinhô também, Seu Geraldo!

Ele acena sorrindo e segue em frente, enquanto Geraldo e a esposa ficam discutindo na janela.

Havia pouca gente na rua, estavam todos ainda acordando e se preparando para começar o dia. Mas bastou que poucas pessoas assistissem à cena para que a história se espalhasse por toda a cidade. Em anos, era a primeira vez que muita gente se divertia com algo ocorrido em Recife.

A guerra entre os luso-brasileiros e os holandeses durou anos, e os últimos deles foram os piores. O cerco à Recife, impedindo a entrada de víveres por terra, deixou a população faminta. Tudo que se movia era vendido como alimento no mercado; como ratos, pássaros, cães… E essas mercadorias alcançavam preços elevados. Os escravos foram os primeiros a perecer com a fome. Algumas pessoas desenterravam carcaças de animais para comer. A maior metrópole das Américas estava definhando, e até a higiene estava precária. A Holanda parecia ter abandonado o lugar; mas um dia, duas naus aportam no litoral trazendo víveres e a notícia que a população tanto aguardava. O reforço militar já estava a caminho. Mas os luso-brasileiros lutaram bravamente e, sob o comando do general Francisco Barreto de Menezes, venceram a guerra e recuperaram o Nordeste do Brasil.

 Já havia se passado mais de dois meses desde o fim da guerra, e um grupo de judeus, que veio da Holanda, estava se preparando para partir. O prazo estipulado para abandonarem a região estava terminando.

Um homem solta uma gargalhada na mercearia. Ele está servindo uma mesa, com o café da manhã. Na mesa está Gomes, já vestido com a camisa e calçando as botas.

— Gomes… Você não tem jeito!

— E que culpa tenho eu se o sangue quente de Salomão corre em minhas veias… E, aqui nos trópicos, ele parece mais quente ainda!

Os dois dão altas gargalhadas. Um rapaz, um pouco mais velho que Gomes, entra na mercearia.

— Gomes… Mãe está preocupada! Você não avisou que não dormiria em casa…

— Seu irmão estava em boa companhia, Antônio, não se preocupe…

O dono da mercearia diz enquanto arruma um pano no ombro direito e segue para o balcão.

Gomes toma, em um gole só, o café com leite e sai comendo o pão.

— Obrigado, Seu Joaquim!

— Disponha, Gomes!

A cidade ia se recuperando. Os mortos já haviam sido enterrados e as más lembranças, aos poucos, iam sendo substituídas por novas expectativas. O instinto de sobrevivência impulsionava a todos a seguir em frente.

Quando Gomes chega em casa, há uma reunião na biblioteca. Ele entra.

— Dia!

— Dia!

O pai responde enquanto faz sinal para que o filho se misture aos demais. Um dos homens continua falando.

— Conversamos com o Chico Barreto, ele permitiu que usássemos os navios que estão no porto.

— Vai ser o suficiente?

— Serão sim.

— Não sei… Eu contei dezesseis navios.

— Tem o Valk e o Elizabeth também!

— São dezesseis contando com os dois…

— E para onde iremos?

Gomes pergunta. Todos olham para ele.

— Retornaremos para a Holanda.

Os homens continuam conversando. Gomes está com o pensamento distante.

A família de Gomes era de origem portuguesa, mas quando a Espanha assumiu o controle da Ibérica, tiveram que migrar para a Holanda; e foi lá que Gomes nasceu. Quando a família seguiu para o Brasil, Gomes estava com três anos de idade, foram nas embarcações entre os primeiros colonos holandeses na região. Gomes viveu a maior parte de sua vida no Nordeste brasileiro, 24 anos em terras tupiniquim, agora a ideia de retornar à Holanda não lhe parecia certa.

Os dias se passam e a data da viagem já está marcada.

— Partimos depois de amanhã!

— E você parece feliz com isso…

— E você também deveria estar, Gomes. Afinal, se ficarmos aqui seremos vítimas da Inquisição.

— Mas não significa que devemos voltar para a Europa.

— E pra onde iríamos?

Gomes senta-se no balcão do bar e então narra aos homens uma história que ouviu de um marinheiro holandês.

— Nova Amsterdã? Besteira… Aquilo é uma vila de pobres almas condenadas.

— Sim, é uma nova colônia, mas creio que poderemos fazer a diferença por lá.

— Você não sabe do que está falando. Já pensou no que teríamos que enfrentar para chegar lá? E as embarcações estarão cheias de mulheres, crianças e idosos… Não sobreviveriam a essa aventura.

— Sim… E ainda teríamos que passar pelas Antilhas.

— Nem com Moisés eu passaria por ali.

— Por quê?

Gomes pergunta.

— Ouvi dizer que há um navio pirata fantasma nas Antilhas.

Os homens soltam gargalhadas.

— Ah! Conversa…

— Não… É verdade! Dizem que o navio de um Capitão foi invadido e toda a tripulação morreu. O Capitão foi poupado, só para que enlouquecesse no mar, e depois o Navio Fantasma veio buscar a sua alma.

Os homens ficam sérios. Gomes pergunta.

— E quem lhe contou essa história?

— Foi o Sr. Moore.

— Ah! O Sr. Moore é conhecido por contar histórias, são muito boas, mas são só histórias,  não são reais.

— Dizem que nem tudo que ele conta é imaginação; e eu não arriscaria a minha alma nessa aventura.

As opiniões ficam divididas, mas Gomes tenta convencer os homens. No dia seguinte, 35 homens, a maioria com menos de 40 anos, decidem embarcar na aventura proposta por Gomes. Eles conseguem convencer os organizadores da viagem a lhes disponibilizar um navio. O argumento foi inquestionável. Eles tentariam encontrar um porto seguro nas Américas, onde estariam livres das perseguições da Inquisição.

— Iremos no Valk.

Gomes dá a notícia aos aventureiros. Eles comemoram.

❖❖❖

Os dias se passam e o Valk segue solitário pelas águas do Atlântico. Gomes está deitado em uma rede, um homem passa e vê um amuleto verde em seu peito.

— O que é isso?

O homem diz enquanto pega o objeto.

— Foi um presente.

— Um presente?

Em uma das viagens com o pai, pelo Nordeste do Brasil, eles chegaram até uma área pouco explorada, na entrada da Floresta. Em uma noite, Gomes se afastou do grupo e acabou se perdendo. Uma indígena o observava de longe, quando notou que ele estava perdido, e não representava perigo, ela se aproximou e o guiou pela Floresta. Antes de amanhecer, ele lhe agradeceu com uma bela noite de amor sob as estrelas. Quando o Sol o despertou, no lugar da bela moça, havia um amuleto de pedra verde. O grupo o encontrou ali, e o guia o contou sobre a lenda das mulheres guerreiras que presenteavam seus amantes com um amuleto de jade. Gomes não saberia dizer se a moça era uma guerreira, mas, em suas lembranças, ela parecia uma divindade.

— Homens! Terra a vista…

Todos correm para ver a grande ilha ao longe. Era Cuba. Eles comemoram.

— Não aguento mais o vai e vem dessas águas, vai ser muito bom poder pisar em terra firme novamente.

Um dos homens diz.

O navio vai seguindo em direção à Ilha, mas, de repente, uma forte tempestade enche seus corações de pavor.

— A tempestade veio de repente…

Ventos fortes, muita chuva, raios e trovões e uma escuridão assustadora tomam conta da cena.

— VAMOS MORRER!

Um homem grita. Gomes tenta acalmá-lo.

— Não é uma tempestade que nos matará. Não se preocupe.

— Não estou com medo da tempestade, estou com medo do que vem sem aproximando de nós… Olhe!

O homem vira o rosto de Gomes para a direção de um navio que se aproximava.

— É o Navio Fantasma, ele existe!

Gomes não sabe o que dizer. A tripulação entra em pânico.

Como alma penada, o Navio se encosta no Valk. Piratas mal trapilhos, com aparência de almas do inferno, invadem o convés e espalham o terror entre a tripulação. Gomes não sabe o que fazer. Alguns homens são mortos e jogados ao mar, a maioria da tripulação se junta no meio do convés, Gomes está entre eles. Os piratas vão se aproximando, criando um círculo apavorante ao redor do grupo. De repente, o Capitão do Navio Fantasma se aproxima. Seus homens aguardam suas ordens.

O Capitão observa os homens, então para diante de Gomes.

— Então você é o Capitão desse navio?

O pirata diz com uma voz arrepiante.

— Aqui não há Capitão. Somos uma família.

— Uma família…

O pirata diz com ironia. Quando ergue sua espada para atravessá-la no corpo de Gomes, o aventureiro fecha os olhos, já esperando a morte, mas algo acontece. A espada do pirata não consegue ferir o rapaz. Era como se um campo invisível o protegesse.

O pirata não entende o que está acontecendo.

— O que é isso? Que feitiçaria é essa?

Ele tenta novamente, mas falha outra vez; então se enfurece.

— Matem todos!

Mesmo sem entender o que havia acontecido, Gomes pede proteção para a tripulação, e é atendido. Quando percebem que não poderiam ser feridos pelos piratas, todos começam a lutar. Eles formam grupos e, aos poucos, vão cortando cabeças e jogando ao mar. O Capitão pirata olha para Gomes.

— Não sei o que você é, mas vejo que alguma coisa o protege. Vou deixar que siga o seu caminho.

O amuleto brilha no peito de Gomes. O pirata olha para o amuleto, depois olha para o rosto do rapaz com uma expressão séria.

— Vejo que teve as bênçãos das terras do sul. É uma essência muito especial… Não a despreze.

O Capitão diz e segue o seu caminho rumo ao Navio Fantasma.

— Homens, vamos embora… Não há mais almas para nós aqui.

Os piratas saem como fantasmas. Os corpos sem cabeça seguem junto, e voltam ao normal quando chegam em seu Navio. A embarcação desaparece. Ventos fortes continuam soprando levando o Valk a bater bruscamente no litoral da grande ilha. A tempestade se acalma.

Os homens descem do navio e deitam na praia, ofegantes. Gomes está de pé. Um homem se aproxima. Ele avalia o estrago no Valk.

— O que faremos agora?

— Ainda não sei.

Gomes responde preocupado enquanto olha os homens exaustos e assustados na areia.

Alguns dias se passaram e o dinheiro do grupo estava acabando. Gomes está tomando vinho em um bar, com mais cinco homens do Valk. Outro deles entra e puxa uma cadeira.

— Um navio francês sai amanhã cedo, está indo para Nova Amsterdã.

Gomes se anima.

— Podemos ir nele?

O homem sorri.

— Acabei de ouvir a notícia no porto, e vim te contar na esperança de você conseguir convencer o Capitão a nos levar…

— Por que eu?

Todos olham para Gomes como se a resposta fosse óbvia.

— Tudo bem… A quem devo procurar?

— Procure pelo Capitão do Saint Caterine.

No porto, Gomes consegue a informação que procurava. Os homens indicam a pousada em que estava hospedado o Capitão.

— Quantos homens?

— Vinte e seis, Senhor.

— Isso vai sair caro. Preciso receber adiantado.

— Temos o dinheiro, mas está em Nova Amsterdã.

O Capitão encara Gomes com expressão séria.

— Pensa que sou idiota, rapaz?

— Não, Senhor. Veja! Carrego uma carta da Companhia das Índias Ocidentais. Ela deverá ser entregue ao Governador de Nova Amsterdã.

O Capitão reconhece o selo da Companhia.

— Você parece dizer a verdade, mas vou ficar com uma garantia, por via das dúvidas.

De volta ao grupo, Gomes explica a situação.

— O navio sai no próximo amanhecer, e essas foram as condições do Capitão.

— Eu ainda estou traumatizado com o mar, posso ficar.

Um home se oferece para o sacrifício.

— Eu também fico.

— Eu também.

De repente, uns dez homens se oferecem para ficar em Cuba.

— Calma! Ele me pediu três homens como garantia, mas disse que se não receber o pagamento em Nova Amsterdã, mata toda a tripulação e vende os que ficarem aqui, como escravos.

— Mas o dinheiro é certo, não?

Gomes faz uma expressão pouco confiável.

— Gomes! Como você coloca nossas vidas em risco através de um blefe?

— Não é blefe… Mas a verdade é que não sei como seremos recebidos em Nova Amsterdã.

— Os homens lhe deram a carta de recomendação da Companhia, não foi?

— Sim… Mas soube que o Governador de Nova Amsterdã é Calvinista.

— Puta que pariu! Estamos perdidos…

Um homem senta-se desanimado. De repente, todos começam a falar ao mesmo tempo. Gomes tenta acalmá-los.

— Homens! Escutem…

O grupo presta atenção.

— Sobrevivemos ao ataque de um Navio Fantasma, tenham mais fé. Temos uma missão muito importante, vários destinos dependem de nós, não podemos nos acovardar agora…

— É… Ele tá certo.

O grupo apoia Gomes, e começam os preparativos para a viagem.

Na manhã seguinte, todos seguem para o porto. O Saint Caterine parte com vinte e três tripulantes do Valk; outros três observam do porto, esperançosos, o navio se afastar.

No dia sete de setembro de 1654, o Saint Caterine aporta em Nova Amsterdã. O Governador se mostra resistente ao grupo de Gomes, mas diante da carta da Companhia ele decide escrever outra carta explicando a situação, e permite que o grupo fique na cidade até que chegue uma resposta.

— E o pagamento do Capitão francês, Senhor?

Gomes se preocupa.

— Senhor Gomes, olhe ao seu redor… Como pode ver, essa é uma pequena vila, que muitos chamam erroneamente de “cidade”. Estamos aqui fadados a morrer na miséria, acha mesmo que há algum dinheiro aqui? Já faço muito permitindo que fiquem, pois a presença de vocês pode atrair os papistas, e eu não teria meios para resistir a um ataque deles.

O Governador explica a situação.

— Me desculpe, Senhor, e agradeço por sua consideração.

Gomes segue para o porto. O Capitão do Saint Caterine está descendo do Navio. Gomes o aguarda.

— E então? Trouxe o meu pagamento?

Gomes pensa um pouco antes de responder.

— Eu já imaginava… Não precisa ficar constrangido. Meus homens irão se divertir matando vocês, e terei bom lucro vendendo aqueles três em Cuba…

O Capitão diz secamente.

Gomes fecha os olhos, na esperança de encontrar uma saída para aquela situação. Então se lembra do amuleto de jade.

O Capitão já estava se afastando.

— Capitão! Espere…

Gomes corre até ele. Enquanto corre, está pegando no cordão do amuleto. Gomes lembra-se do comentário do Capitão Pirata. “É uma essência muito especial… Não a despreze”.

— O que foi, rapaz?

Gomes pensa mais um pouco, hesita, mas acaba cedendo. Ele retira o amuleto do pescoço.

— Pegue.

O Capitão olha desconfiado para o amuleto.

— É um amuleto de jade. Foi um presente, de uma nativa do Brasil.

O Capitão pega o amuleto enquanto olha desconfiado para Gomes.

— Tenho certeza que algum colecionador inglês pagará caro por ele.

O Capitão está analisando a peça.

— Hum! É o que chamam de Muiraquitã… De fato é uma peça de grande valor. Tem sorte por eu não ser um ignorante. Aceito como pagamento.

Gomes sente um grande alívio.

— Obrigado, Senhor!

A Companhia responde à carta do Governador e solicita que os homens sejam recebidos na cidade. A partir dali, eles passam a se dedicar ao comércio; enviam cartas aos familiares, em Holanda e Portugal, e a cidade começa a crescer. Em pouco tempo a região se transforma.

— Bom dia, Senhor Gomes!

— Bom dia!

Gomes levanta a aba do chapéu ao cumprimentar uma senhora que está entrando na loja. Ele estava na porta, avaliando a arrumação na vitrine. Dentro da loja, sua esposa orientava os balconistas, uma de suas filhas vem correndo e lhe abraça.

— Minha princesa! Vamos comprar um doce?

— Sim papai!

— Mas não conte pra mamãe…

Ele fala baixinho, como se fosse um segredo. A garotinha sorri.

Já havia se passado onze anos desde que o Saint Caterine deixou o grupo, vindo do Recife, em Nova Amsterdã. A pequena vila, sem esperança de futuro, agora já era uma bela cidade, que parecia crescer mais rápido a cada dia. Novos migrantes começam a chegar de outras regiões, agora, sob o domínio Inglês, Nova Amsterdã passa a se chamar Nova York.

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