Cultura Indígena e Fantasia

Recentemente, alguns artistas brasileiros estão se empenhando em apresentar trabalhos que destacam as Culturas Indígenas da nossa terra.

Outros artistas já fizeram isso no passado, mas sem conseguir alcançar um público significativo. Hoje, com a internet, os novos projetos, que abordam a temática indígena, conseguem melhores resultados e, entre esses projetos, está a obra da escritora mineira Vânia Pereira, que nos concedeu, gentilmente, uma entrevista. 😉

41562170-176-k120504Quando e como você começou a escrever histórias de Fantasia? Qual foi o seu primeiro livro?

Comecei a escrever fantasia em 2015.  Meu primeiro livro foi Jegwaká: o clã do centro da Terra.

O que te levou a escrever histórias com a temática indígena?

O fato de trabalhar com os povos indígenas há mais de duas décadas, e porque toda a minha produção científica e acadêmica é sobre esses povos.

Infelizmente, no Brasil há uma tendência de desvalorização de tudo que é autêntico do nosso país, como o nosso Folclore e as Culturas Indígenas. Você tem um número considerável de leitores no Wattpad, isso mostra que você conquistou um público que tem boa aceitação em relação às suas histórias. Foi sempre assim ou você já teve dificuldade para divulgar histórias com temática indígena, em algum momento?

No começo, mas logo no começo, meus livros não eram lidos e nem visualizados. Tive que usar algumas estratégias para que isso acontecesse. Uma dessas estratégias foi mudar a capa do livro algumas vezes e até o título. Também passei a divulgar os meus livros para pessoas que se interessavam pela temática, em sites e redes sociais. Mas considero que as coisas foram acontecendo mais por uma pessoa falar com a outra.

Como escritora, que trabalha a temática indígena em obras de Fantasia, qual tem sido sua maior dificuldade?

A minha maior dificuldade é também a minha principal característica: fazer uma pesquisa e estudo acurados, dos assuntos sobre os quais escrevo e me desdobro. É muito trabalhoso escrever sobre a temática indígena, se você quer realmente fazer algo bem feito.

73508069-176-k619819Dos seus livros, qual você mais gosta? Por quê?

Tenho mesmo que escolher um? É que eles são diferentes, sabe. Tem fantasia, tem ficção histórica. Tem romance e conto. Mas vou colocar “Jegwaká: o clã do centro da Terra” porque foi com este livro que comecei a escrever ficção e fantasia.

Você desenvolve trabalhos em aldeias indígenas tradicionais e convive há muitos anos com a Cultura Guarani que, embora esteja em nossas raízes, é tão desconhecida por grande parte dos brasileiros. De tudo que você tem aprendido com o povo guarani, há alguma lição que você gostaria de destacar?

Só quero destacar que são os povos Kaiowá e Guarani. Estes dois povos, ainda que com muitos elementos comuns tanto na cultura como língua, são duas etnias e línguas diferentes. E o que mais destaco nesses dois povos é a RESISTÊNCIA. Há mais de 500 anos esses povos resistem ao invasor e não abandonaram sua cultura, língua e modo de ser. São sempre humilhados, perseguidos, mortos, mas resistem como povo indígena Kaiowá e Guarani.

Você fez a tradução do primeiro volume do mangá A Lenda de Bóia, do Léo D. Andrade, para o Guarani Kaiowá. Na sua opinião, esse tipo de trabalho, ou seja, a Arte Pop, pode contribuir para a preservação e valorização das Culturas Indígenas?  Pela sua experiência, você acredita que os povos indígenas podem se interessar por esse tipo de arte para divulgar suas Culturas, sendo eles os autores desses trabalhos?

Olha, trabalho como professora conteudista da Ação Saberes Indígenas na Escola, onde produzimos literatura em língua indígena. E os trabalhos resultantes são incríveis. Os desenhos e histórias são totalmente dentro da cultura, mitologia e nas línguas indígenas. Então posso dizer com certeza, que tudo isso vem para acrescentar, e tudo se torna válido e ajuda, quando não é imposto. A criança e adolescente indígena também gosta muito de Mangá, como os não-indígenas.

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Para finalizar, gostaria de deixar algum recado para os leitores?

Eu queria agradecer a todos que têm lido os meus livros, me apoiado e incentivado. É claro que, em se tratando de livros, dependemos totalmente dos leitores. São eles que fazem a coisa dar certo, que divulgam, que falam por aí das nossas obras, despertando outros a conhecerem nosso trabalho. Enfim, são eles que nos impulsionam. Então tenho só que dizer muito obrigada a todos.

E obrigada também a você, Francélia, por essa oportunidade.

14322775_1054267921309562_7489642369139574957_nSOBRE A AUTORA

Nasci em Patrocínio, Minas Gerais, no dia 7 de março de 1967.

Cursei o Ensino Fundamental e Médio em escolas públicas dessa cidade, onde também me formei em teologia, pela Igreja Presbiteriana do Brasil, no Instituto Bíblico Eduardo Lane.

No ano de 1988 me mudei para o Estado de Mato Grosso do Sul para trabalhar como missionária e professora em aldeias indígenas do estado. Estudei e aprendi a falar e escrever as línguas indígenas Kaiowá e Guarani.

Formação acadêmica:

– Licenciatura em Normal Superior pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS);

– Especialização em Educação – Educação Inclusiva na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD);

– Mestrado em Educação – Gestão e Políticas públicas da Educação pela UFGD.

Tenho uma grande produção científica sobre Cultura e Educação Escolar Indígena, com capítulos de livros e revistas científicas, participação em produção de livros didáticos, informativos e de literatura em língua indígena.

Sou professora de séries iniciais, em Escolas Indígenas desde 1988. Atualmente sou também professora conteudista da Ação Saberes Indígenas na Escola, pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Nós que agradecemos pela entrevista, Vânia! ❤

As obras de Vânia Pereira etão disponíveis para leitura, gratuita, no seu perfil no Wattpad.

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Uma resposta em “Cultura Indígena e Fantasia

  1. Pingback: Cultura Indígena e Fantasia – Um canceriano sem lar.

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