PSEUDO-ENSAIO OSWALDIANO SOBRE BLOGOSFERA LITERÁRIA

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PSEUDO-ENSAIO OSWALDIANO SOBRE BLOGOSFERA LITERÁRIA

por Vitor Vallombroso

Quatro anos acompanhando blogs literários, pelo menos no nome, e nem uma palavra sobre literatura marginal. Essa experiência não é minha, mas de uma blogueira que certa vez comentou uma das postagens do blog. Outra, alegou sempre procurar ler coias diferentes, mas nunca ter se deparado com uma obra intitulada literatura marginal. Dois deles, mostraram um completo desconhecimento a respeito do que seria a literatura marginal, alegando que o texto não se encaixava por se tratar de um cotidiano. Sangrento, violento, periférico, mas em sua visão, nem um pouco marginal. Outros três admitiram não ter conhecimento sobre o assunto.Não se enganem: isso não é sobre os autores de tais comentários, eleitores ávidos, blogueiros, em alguns casos escritores, e não, eu não pretendo citar nomes. Isso é sobre a doença que acomete a literatura.

Esse Coletivo, assim como muitos dos nossos poucos leitores, lutam contra uma terrível doença parasitaria que acomete a blogosfera. Sem rosto e sem nome, ela é propagada por editoras. A principio, isso parece algo diferente, que eu não lembro o nome, mas beneficiam ambos os lados. A editora ganha publicidade, o blog ganha livros, com os quais pode fazer postagens e sorteios (Um dos responsáveis por inflar os números e blogs e páginas, com gente que nunca dará um like ou comentará). O problema é que no fim de meses, o que ocorre é que os blogs viram dependentes das editoras. Vejam bem, pensem quantos blogs literários vocês conhecem. Agora se perguntem quantas vezes viram um conteúdo literário, que não faz parte de um livro, ser resenhado.

Um dos meus autores estava perguntando se teria de escrever um livro para ser levado a sério enquanto escritor, e ai, digam vocês, vai? Quantas vezes vocês veem as pessoas declararem amor a literatura, a contos, romances, poesias e quantas vezes vocês veem as pessoas declararem amor aos livros? Você, ~resenhista~, quantas vezes se permitiu achar um conto digno de resenha? Quantas vezes você leu um, gostou, e sequer pensou em resenhar? Por que? Se fosse um livro, você pensaria? Aliás, quantas vezes você parou para pensar em como livros e literatura não são sinônimos? Quantas vezes viu um conto, poesia ou romances não literários? E quantas vezes viu um livro de biografia, didático ou mesmo técnico? Uma porra de um dicionário.

Aliás, você que tanto lê, quanto reflete? Quanto sai da caixa? Tu já leu cordel? Já foi em sarau? Quantas experiências literárias diferentes de ir em um sebo\livraria você tem? Quantas formas você tem de abordar literatura? Você sabe falar de literatura sem falar de um livro especifico? Por exemplo, abordando um aspecto comum a certos textos literários? E se for falar de um livro, sabe sem ser resenha? Falar de parte dele, não do todo? Ensaio, quem sabe. Dúvidas, muitas dúvidas.

Dúvidas que eu, não posso responder. Sim, eu tenho um blog que publica literatura, e vez ou outra, fala sobre, mas sem resenhas, pareço pertencer nessa esfera mais por insistência que qualquer coisa. Mas essa é minha especialidade, ser insistente. Insisto em ser escritor em um país como o Brasil – não sejamos injustos, porém, desde que os escritores brasileiros sigam a cartilha americana, são lidos, sim senhor – insisto tentar fazer disso uma profissão e ser reconhecido.  Insisto, em divulgar meu trabalho, mesmo que a maioria das pessoas que vejam, não se deem ao trabalho de interagir.

Não pensem que eu sonho mudar esse mundinho, eu sou iludido, mas nem tanto. Minhas ilusões permitem que, no máximo, pensar que esse texto pode ser lembrando antes dos próximos posts de alguém. E quando a pessoa decidir que o conteúdo mais interessante para ser levado aos seus leitores é aquela resenha de um livro romântico onde a protagonista tem seu mundo virado de cabeça para baixo após conhecer o mocinho problemático, mas totalmente idealizado, eu enfim aceitar que eu não me enquadro nessa blogosfera.

Bom dia.

Estudante de letras na Universidade Federal de São Paulo, Vitor Vallombroso publica seus ensaios, contos e poemas no blog do Coletivo Poesia Marginal, onde publica também outros 20 autores, procurando levar aos leitores do Coletivo conteúdo diversificado, de qualidade, e nacional.

Visite a fanpage: Coletivo Poesia Marginal
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Esse texto foi enviado como colaboração para o blog. Caso também tenha alguma matéria, resenha, artigo, poesia, conto… que queira compartilhar,  nos envie seu texto!
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