FICÇÃO FOLCLÓRICA

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Ilustração de  Ouro, Fogo & Megabytes, primeiro volume da série O Legado Folclórico, de Felipe Castilho.

Em todo idioma os termos surgem da necessidade de representar a realidade através de palavras, assim, cada tempo com suas novas tecnologias e suas novas descobertas acabam gerando termos novos. Os termos estão, dessa forma, relacionados ao contexto histórico em que são concebidos.

Vivemos hoje, no Brasil, um momento muito importante para a nossa Cultura. É um tempo em que muitas pessoas estão despertando para o fato de que nossa visão de mundo foi toda moldada por povos estrangeiros, devido ao processo de colonização, e que isso nos deixou alienados quanto à Cultura da nossa terra.

Nosso Folclore é fruto de diversos contatos entre culturas diversas, mas a base dele ainda são as Culturas dos povos originários dessa terra, ou seja, do Folclore que existia por aqui antes da chegada do colonizador. Esse despertar tem aparecido em diversos tipos de expressão artística, o que levou Andriolli Costa, um estudioso desse tema, a propor um termo que define essa produção artística através de um gênero “novo”. Daí surge a Ficção Folclórica.

Sempre existiram obras que valorizam nosso Folclore, a exemplo de obras de autores consagrados como José de Alencar, Monteiro Lobato, Ziraldo e Maurício de Souza além de diversos grupos que se propõe a preservar nossas lendas, como o grupo Sacizal dos Pererês. Também movimentos como da famosa Semana de Arte Moderna, que nos apresentou obras como as de Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Tarsila do Amaral celebraram o nosso Folclore, mas o que vemos hoje é algo diferente.

Hoje o interesse pelo Folclore não está restrito a estudiosos ou a grupos que tentam mostrar ao público o quanto ele é rico, o quanto é importante, acredito que esses artistas citados conseguiram passar essa mensagem. Hoje o que temos é um público que anseia por obras que utilizam a linguagem do nosso tempo para (re)contar nossos mitos e nossas lendas, assim como é feito em diversos países pelo mundo; e enquanto o público anseia por isso, artistas, de diversas áreas, buscam, com paixão, pelo passado do nosso país, do nosso povo, e com isso acabam descobrindo as Culturas Ancestrais que são a base da nossa Cultura.

Compreender esse passado é muito importante para compreender nosso presente, para valorizar o nosso Folclore que é “Cultura viva”, como diz nosso Colecionador de Sacis, lembrando que Folclore é o conjunto de elementos – lendas; mitos; língua e termos regionais como uai, tchê, bah, ôxe…;  comidas típicas, como o pão de queijo, o cuscuz, a tapioca, o chimarrão…; etc. –  que formam a Cultura que caracteriza um povo, Folcore é a alma desse povo. Esse é um momento onde a Nação brasileira tenta encontrar sua identidade.

Assim, o termo Ficção Folclórica não é exatamente um gênero novo, pois ele se refere a obras de Fantasia, Ficção Científica, Terror, etc., o termo Ficção Folclórica surge da necessidade de deixar registrada, no tempo, a marca do momento que vivemos hoje, um momento não exatamente de resgate, mas sim um momento onde um povo se torna consciente daquilo que ele é. Dada a importância desse momento, o termo se torna bem-vindo e se faz necessário.

Seguem algumas das diversas obras de Ficção Folclórica. Quem quiser saber mais sobre as produções nesse gênero e conhecer outras obras, além dos mitos e lendas que lhes servem de inspiração, pode seguir as páginas Vozes Ancestrais, Colecionador de Sacis, Mil Mameluco, Mitologia Tupi-Guarani, O Folclore Brasileiro Como Você Nunca Viu, além de participar das discussões no grupo Vozes Ancestrais.

51fqa5veYtL._SX343_BO1,204,203,200_Como esconder uma suspensão escolar dos pais, resgatar uma criatura mágica das garras de uma poderosa e mal-intencionada corporação e ainda por cima salvar o país de um desastre sem precedentes? Anderson Coelho, um garoto nada extraordinário de 12 anos, divide sua vida entre a pacata realidade escolar e uma gloriosa rotina virtual repleta de aventuras em Battle of Asgorath, jogo de RPG online em que jogadores do mundo todo vivem num universo medieval, cheio de fantasia. Lá, Anderson – ou Shadow, nome de seu avatar – tem vida de estrela: é o segundo colocado do ranking mundial. E são justamente suas habilidades que chamam a atenção de uma misteriosa organização, que o escolhe para comandar uma missão surpreendente junto com um grupo de ecoativistas nada convencionais. Ao embarcar para São Paulo, Anderson mergulhará de cabeça em uma aventura muito mais fantástica que as vividas em seu computador. Os encontros com hackers ambientalistas, ativistas com estranhos modos de agir e muitas criaturas folclóricas oferecerão a Anderson Coelho respostas não só sobre sua missão, mas também sobre sua própria vida, enquanto um novo mundo se descortina diante de seus olhos.

Ouro, Fogo & Megabytes faz parte da série O Legado Folclórico, de Felipe Castilho.

Disponível na Amazon.

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Capa do álbum Wdê Nnãkrda, da banda Arandu Arakuaa. Os álbuns são compostos em idiomas de povos indígenas tradicionais e as letras são inspiradas nas lendas dos povos originários e na luta constante das comunidades indígenas tradicionais por respeito e direitos.

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A Lenda de Bóia, de Léo D. Andrade.

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Icamiabas. Animação do Estúdio Iluminuras.

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Arûara, Artemísia e Andyrá, personagens do segundo volume da Light Novel Habitantes do Cosmos, de Francélia Pereira.

 

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Corpo Seco, Matinta Perera, Kambaí, Saci, Boto e Boi Tatá, personagens do game Guerreiros Folclóricos, de Joe Santos.

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Mapinguari

 

 

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Websérie Imaginário.

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Série A Bandeira do Elefante e da Arara, de Christopher Kastensmidt.

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Oxossi – O Caçador, de Hugo Canuto. A ilustração faz parte do projeto de HQ Contos de Òrun Àiyé.

PSEUDO-ENSAIO OSWALDIANO SOBRE BLOGOSFERA LITERÁRIA

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PSEUDO-ENSAIO OSWALDIANO SOBRE BLOGOSFERA LITERÁRIA

por Vitor Vallombroso

Quatro anos acompanhando blogs literários, pelo menos no nome, e nem uma palavra sobre literatura marginal. Essa experiência não é minha, mas de uma blogueira que certa vez comentou uma das postagens do blog. Outra, alegou sempre procurar ler coias diferentes, mas nunca ter se deparado com uma obra intitulada literatura marginal. Dois deles, mostraram um completo desconhecimento a respeito do que seria a literatura marginal, alegando que o texto não se encaixava por se tratar de um cotidiano. Sangrento, violento, periférico, mas em sua visão, nem um pouco marginal. Outros três admitiram não ter conhecimento sobre o assunto.Não se enganem: isso não é sobre os autores de tais comentários, eleitores ávidos, blogueiros, em alguns casos escritores, e não, eu não pretendo citar nomes. Isso é sobre a doença que acomete a literatura.

Esse Coletivo, assim como muitos dos nossos poucos leitores, lutam contra uma terrível doença parasitaria que acomete a blogosfera. Sem rosto e sem nome, ela é propagada por editoras. A principio, isso parece algo diferente, que eu não lembro o nome, mas beneficiam ambos os lados. A editora ganha publicidade, o blog ganha livros, com os quais pode fazer postagens e sorteios (Um dos responsáveis por inflar os números e blogs e páginas, com gente que nunca dará um like ou comentará). O problema é que no fim de meses, o que ocorre é que os blogs viram dependentes das editoras. Vejam bem, pensem quantos blogs literários vocês conhecem. Agora se perguntem quantas vezes viram um conteúdo literário, que não faz parte de um livro, ser resenhado.

Um dos meus autores estava perguntando se teria de escrever um livro para ser levado a sério enquanto escritor, e ai, digam vocês, vai? Quantas vezes vocês veem as pessoas declararem amor a literatura, a contos, romances, poesias e quantas vezes vocês veem as pessoas declararem amor aos livros? Você, ~resenhista~, quantas vezes se permitiu achar um conto digno de resenha? Quantas vezes você leu um, gostou, e sequer pensou em resenhar? Por que? Se fosse um livro, você pensaria? Aliás, quantas vezes você parou para pensar em como livros e literatura não são sinônimos? Quantas vezes viu um conto, poesia ou romances não literários? E quantas vezes viu um livro de biografia, didático ou mesmo técnico? Uma porra de um dicionário.

Aliás, você que tanto lê, quanto reflete? Quanto sai da caixa? Tu já leu cordel? Já foi em sarau? Quantas experiências literárias diferentes de ir em um sebo\livraria você tem? Quantas formas você tem de abordar literatura? Você sabe falar de literatura sem falar de um livro especifico? Por exemplo, abordando um aspecto comum a certos textos literários? E se for falar de um livro, sabe sem ser resenha? Falar de parte dele, não do todo? Ensaio, quem sabe. Dúvidas, muitas dúvidas.

Dúvidas que eu, não posso responder. Sim, eu tenho um blog que publica literatura, e vez ou outra, fala sobre, mas sem resenhas, pareço pertencer nessa esfera mais por insistência que qualquer coisa. Mas essa é minha especialidade, ser insistente. Insisto em ser escritor em um país como o Brasil – não sejamos injustos, porém, desde que os escritores brasileiros sigam a cartilha americana, são lidos, sim senhor – insisto tentar fazer disso uma profissão e ser reconhecido.  Insisto, em divulgar meu trabalho, mesmo que a maioria das pessoas que vejam, não se deem ao trabalho de interagir.

Não pensem que eu sonho mudar esse mundinho, eu sou iludido, mas nem tanto. Minhas ilusões permitem que, no máximo, pensar que esse texto pode ser lembrando antes dos próximos posts de alguém. E quando a pessoa decidir que o conteúdo mais interessante para ser levado aos seus leitores é aquela resenha de um livro romântico onde a protagonista tem seu mundo virado de cabeça para baixo após conhecer o mocinho problemático, mas totalmente idealizado, eu enfim aceitar que eu não me enquadro nessa blogosfera.

Bom dia.

Estudante de letras na Universidade Federal de São Paulo, Vitor Vallombroso publica seus ensaios, contos e poemas no blog do Coletivo Poesia Marginal, onde publica também outros 20 autores, procurando levar aos leitores do Coletivo conteúdo diversificado, de qualidade, e nacional.

Visite a fanpage: Coletivo Poesia Marginal
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Esse texto foi enviado como colaboração para o blog. Caso também tenha alguma matéria, resenha, artigo, poesia, conto… que queira compartilhar,  nos envie seu texto!

OSCAR – IMPERIAL HQ’S

Ontem foi dia do Oscar da Imperial HQ’s, que premiou obras de autores que publicam no site.

Entre os vencedores está HDC – Artemísia, que levou o prêmio de Melhor Livro!

Confira todos os indicados e os vencedores no YouTube.

 

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