Vakinha – Habitantes do Cosmos

Oie!

Eu, Francélia Pereira, abri uma conta no Vakinha recentemente para poder receber contribuições de todos que, assim como eu, acreditam no projeto Habitantes do Cosmos, que é uma Light Novel nacional na qual crio personagens com as nossas características. Esses personagens interagem através de histórias inspiradas no nosso Folclore, ou seja, nas nossas tradições, mitos, lendas e no nosso modo de ver o mundo.

COMO SURGIU A SÉRIE HABITANTES DO COSMOS

Habitantes do Cosmos surgiu da vontade de ver personagens com características brasileiras atuando em uma história de ficção científica.

Desde pequena sempre senti falta de ver o Brasil representado nas grandes histórias de sucesso na Literatura, no Cinema e na TV. Era muito bom assistir o Sítio do Pica Pau Amarelo ou ler os gibis da Mônica, mas não me lembro de livros, animações ou filmes brasileiros dentro dos moldes internacionais de sucesso.

O Japão conseguiu um espaço muito grande contando histórias da sua Cultura através dos games, mangás e animes. Europa e EUA sempre tiveram espaço garantido nas grandes mídias, divulgando suas Culturas, seus heróis… Mas muitos países ficaram de fora, e um deles é o nosso amado Brasil.

Sempre me perguntei por que as grandes empresas de entretenimento nunca demonstraram interesse em contar nossas histórias, em criar personagens fortes com nossas características, então, um dia, parei de esperar alguma coisa dessas empresas e decidi eu mesma criar as histórias que sempre quis ler e assistir.

Assim surgiu Artemísia, uma guerreira do futuro que tem o DNA das lendárias Icamiabas da Amazônia, ou Andyrá, um mestiço que carrega a herança genética dos três continentes que estão na base da formação do povo brasileiro, ou seja, da América do Sul, Europa e África, sendo as características africanas as de mais destaque no personagem, que tem seu nome de origem Tupi.

Quem lê Habitantes do Cosmos vai encontrar a História da humanidade, mas contada sob uma perspectiva brasileira e, a cada volume, mais e mais do Brasil será mostrado.

Da minha parte, a história está garantida, mas preciso de ajuda para contá-la como ela merece. Uma história, profissional, precisa de revisor, diagramador, ilustrador, etc. e todos esses profissionais precisam receber por seus trabalhos, pois vivem do que fazem.

Então, se você pensa como eu, ou seja, se acredita que nossas histórias podem gerar excelentes obras de ficção, ajude esse projeto a crescer e vamos, juntos, deixar a marca da nossa Nação na História… de forma positiva

No momento preciso de ilustrações, pois minha série é uma Light Novel e esse gênero exige ilustrações.

Além de compor o gênero, as ilustrações são muito importantes para que o público veja as características dos personagens e possa se identificar com elas.

Para contribuir basta clicar aqui. ❤

DIVULGAÇÃO

FICÇÃO FOLCLÓRICA

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Ilustração de  Ouro, Fogo & Megabytes, primeiro volume da série O Legado Folclórico, de Felipe Castilho.

Em todo idioma os termos surgem da necessidade de representar a realidade através de palavras, assim, cada tempo com suas novas tecnologias e suas novas descobertas acabam gerando termos novos. Os termos estão, dessa forma, relacionados ao contexto histórico em que são concebidos.

Vivemos hoje, no Brasil, um momento muito importante para a nossa Cultura. É um tempo em que muitas pessoas estão despertando para o fato de que nossa visão de mundo foi toda moldada por povos estrangeiros, devido ao processo de colonização, e que isso nos deixou alienados quanto à Cultura da nossa terra.

Nosso Folclore é fruto de diversos contatos entre culturas diversas, mas a base dele ainda são as Culturas dos povos originários dessa terra, ou seja, do Folclore que existia por aqui antes da chegada do colonizador. Esse despertar tem aparecido em diversos tipos de expressão artística, o que levou Andriolli Costa, um estudioso desse tema, a propor um termo que define essa produção artística através de um gênero “novo”. Daí surge a Ficção Folclórica.

Sempre existiram obras que valorizam nosso Folclore, a exemplo de obras de autores consagrados como José de Alencar, Monteiro Lobato, Ziraldo e Maurício de Souza além de diversos grupos que se propõe a preservar nossas lendas, como o grupo Sacizal dos Pererês. Também movimentos como da famosa Semana de Arte Moderna, que nos apresentou obras como as de Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Tarsila do Amaral celebraram o nosso Folclore, mas o que vemos hoje é algo diferente.

Hoje o interesse pelo Folclore não está restrito a estudiosos ou a grupos que tentam mostrar ao público o quanto ele é rico, o quanto é importante, acredito que esses artistas citados conseguiram passar essa mensagem. Hoje o que temos é um público que anseia por obras que utilizam a linguagem do nosso tempo para (re)contar nossos mitos e nossas lendas, assim como é feito em diversos países pelo mundo; e enquanto o público anseia por isso, artistas, de diversas áreas, buscam, com paixão, pelo passado do nosso país, do nosso povo, e com isso acabam descobrindo as Culturas Ancestrais que são a base da nossa Cultura.

Compreender esse passado é muito importante para compreender nosso presente, para valorizar o nosso Folclore que é “Cultura viva”, como diz nosso Colecionador de Sacis, lembrando que Folclore é o conjunto de elementos – lendas; mitos; língua e termos regionais como uai, tchê, bah, ôxe…;  comidas típicas, como o pão de queijo, o cuscuz, a tapioca, o chimarrão…; etc. –  que formam a Cultura que caracteriza um povo, Folcore é a alma desse povo. Esse é um momento onde a Nação brasileira tenta encontrar sua identidade.

Assim, o termo Ficção Folclórica não é exatamente um gênero novo, pois ele se refere a obras de Fantasia, Ficção Científica, Terror, etc., o termo Ficção Folclórica surge da necessidade de deixar registrada, no tempo, a marca do momento que vivemos hoje, um momento não exatamente de resgate, mas sim um momento onde um povo se torna consciente daquilo que ele é. Dada a importância desse momento, o termo se torna bem-vindo e se faz necessário.

Seguem algumas das diversas obras de Ficção Folclórica. Quem quiser saber mais sobre as produções nesse gênero e conhecer outras obras, além dos mitos e lendas que lhes servem de inspiração, pode seguir as páginas Vozes Ancestrais, Colecionador de Sacis, Mil Mameluco, Mitologia Tupi-Guarani, O Folclore Brasileiro Como Você Nunca Viu, além de participar das discussões no grupo Vozes Ancestrais.

51fqa5veYtL._SX343_BO1,204,203,200_Como esconder uma suspensão escolar dos pais, resgatar uma criatura mágica das garras de uma poderosa e mal-intencionada corporação e ainda por cima salvar o país de um desastre sem precedentes? Anderson Coelho, um garoto nada extraordinário de 12 anos, divide sua vida entre a pacata realidade escolar e uma gloriosa rotina virtual repleta de aventuras em Battle of Asgorath, jogo de RPG online em que jogadores do mundo todo vivem num universo medieval, cheio de fantasia. Lá, Anderson – ou Shadow, nome de seu avatar – tem vida de estrela: é o segundo colocado do ranking mundial. E são justamente suas habilidades que chamam a atenção de uma misteriosa organização, que o escolhe para comandar uma missão surpreendente junto com um grupo de ecoativistas nada convencionais. Ao embarcar para São Paulo, Anderson mergulhará de cabeça em uma aventura muito mais fantástica que as vividas em seu computador. Os encontros com hackers ambientalistas, ativistas com estranhos modos de agir e muitas criaturas folclóricas oferecerão a Anderson Coelho respostas não só sobre sua missão, mas também sobre sua própria vida, enquanto um novo mundo se descortina diante de seus olhos.

Ouro, Fogo & Megabytes faz parte da série O Legado Folclórico, de Felipe Castilho.

Disponível na Amazon.

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Capa do álbum Wdê Nnãkrda, da banda Arandu Arakuaa. Os álbuns são compostos em idiomas de povos indígenas tradicionais e as letras são inspiradas nas lendas dos povos originários e na luta constante das comunidades indígenas tradicionais por respeito e direitos.

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A Lenda de Bóia, de Léo D. Andrade.

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Icamiabas. Animação do Estúdio Iluminuras.

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Arûara, Artemísia e Andyrá, personagens do segundo volume da Light Novel Habitantes do Cosmos, de Francélia Pereira.

 

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Corpo Seco, Matinta Perera, Kambaí, Saci, Boto e Boi Tatá, personagens do game Guerreiros Folclóricos, de Joe Santos.

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Mapinguari

 

 

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Websérie Imaginário.

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Série A Bandeira do Elefante e da Arara, de Christopher Kastensmidt.

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Boitatá

 

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Oxossi – O Caçador, de Hugo Canuto. A ilustração faz parte do projeto de HQ Contos de Òrun Àiyé.

A DEUSA ESTRANGEIRA

A DEUSA ESTRANGEIRA

Francélia Pereira e V. M. Gonçalves

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Um corvo sobrevoa o campo de batalha. Dois exércitos se confrontam, com a ajuda dos deuses. Homens e mulheres lutam ferozmente, em seus trajes de couro de animal, empunhando suas espadas e se defendendo como podem.

O corvo observa os corpos no chão, muitos deles mutilados, decapitados. O pássaro negro parece indiferente aos dramas da guerra, ele está procurando alguma coisa.

De repente, ele vê ao longe uma mulher ruiva, maior que o normal. Seus longos cabelos vermelhos ardem como chamas incontroláveis. Era Nemain; a fúria de Morrígan, encarnada. O pássaro voa rápido até ela.

— Então… Qual de vocês cinco vai querer morrer primeiro?

Nemain estava com o pé direito sobre o estômago de um dos cinco homens com os quais havia lutado. Os homens estavam exaustos no chão, feridos e ofegantes, pedindo pela morte.

— Há alguns instantes, vocês vieram correndo até mim, dizendo que iriam dar fim à minha vida. “Morra, vadia”; era o que vocês gritavam…

Nemain se abaixa e olha nos olhos de um dos homens. O corvo negro pousa perto dela e começa a fazer ruídos, como se estivesse falando também. Nemain ignora o pássaro. Os homens sentem um frio subir por suas espinhas; eles conheciam as lendas e já sabiam o significado do corvo negro como a noite.

O corvo começa a mudar de forma. Nemain se levanta e se afasta lentamente enquanto a metamorfose se completa. Em poucos segundos, o corvo se torna Badb, uma mulher forte, bela, de longos cabelos negros e olhos assustadores. Os homens mal têm tempo de observar sua forma feminina; Badb, de uma só vez, corta as cinco cabeças com sua espada afiada.

Nemain e Badb estão de costas uma para a outra. Badb a repreende.

— Não sei por que você perde tanto tempo conversando com esses animais…

— Gosto de ver o sofrimento deles, só isso.

Nemain se abaixa para pegar uma de suas espadas, que caiu no chão enquanto lutava. Badb se aproxima dela.

— Venha logo… Morrígan precisa de nós, ela está prestes a vencer a batalha, mas precisa do grande lobo.

— Vamos logo então.

Badb se transforma no corvo novamente. Nemain corre como uma flecha. Em segundos, as duas já estão perto de Morrígan, a grande deusa das batalhas.

— Por que demoraram tanto?

As duas divindades se olham, então Morrígan ergue os braços e profere palavras antigas. A deusa trina se torna uma novamente.

Um general se aproxima.

— Morrígan, precisamos do grande lobo…

— Eu sei.

A deusa começa a correr e, enquanto corre, seu corpo vai se transformando. Agora, um lobo branco gigantesco segue em direção ao exército inimigo, devorando tudo em seu caminho. O general sorri satisfeito e ordena a seus homens que avancem.

O exército inimigo era liderado pelo grande herói Cuchullain. O bravo guerreiro era muito forte e destemido, mas uma vez recusou o amor da deusa e, desde então, ela o faz perder todas as batalhas. Porém, dessa vez Cuchullain estava disposto a vencer de qualquer jeito, ou aceitar a morte, pois não aguentava mais as humilhações sofridas nessas lutas, seu orgulho já havia sido castigado demais.

O grande lobo havia diminuído consideravelmente o número de guerreiros no lado inimigo, então para, diante de Cuchullain. O guerreiro, de frente para o monstro de pelos brancos, solta sua espada, fecha os olhos e abre os braços, esperando ser devorado logo. Mas a deusa retorna à sua forma original.

— Covardia nunca combinou com você, Cuchullain. Honre o seu passado guerreiro e pegue sua espada.

Cuchullain abre os olhos e observa Morrígan. Então se aproxima da deusa.

— Não lutarei com você. Pode me matar como quiser, mas jamais lutarei com você.

Os dois se mantêm com os olhares fixos um no outro. A deusa está furiosa. Cuchullain aguarda a decisão de Morrígan.

Após alguns instantes, Morrígan se vira e se afasta de Cuchullain. O guerreiro fica parado, observando a deusa caminhar lentamente em meio aos homens que lutam furiosos. Morrígan desaparece em meio à bruma que começa a surgir. Um soldado inimigo corre na direção de Cuchullain, com sua espada em punho, mas ao se aproximar percebe a indiferença do guerreiro, e o homem não consegue matá-lo. Cuchullain o olha nos olhos, com expressão séria; o homem simplesmente se afasta. O herói segue em frente, sem sua espada; talvez estivesse procurando a morte, mas ela se afastava dele, mais e mais. Cuchullain atravessa o campo de batalha como um fantasma. Não conseguia mais lutar, também não conseguia morrer. A maldição da deusa estava completa.

Entediada, Morrígan segue para uma praia no litoral da ilha. Ela observa o mar e a linha do horizonte. Nemain e Badb estão do seu lado.

— Há muitas terras por aí… Muitos povos que ainda não conhecemos. Talvez nos faria bem lutar em outras batalhas — Badb questiona.

— Sim, sentir o cheiro de sangue diferente… Talvez existam grandes desafios em outros cantos — diz Nemain com empolgação. Morrígan continua pensativa, observando a linha do horizonte, enquanto suas outras faces discutem.

Após um tempo, Morrígan se levanta e segue em direção às ondas que quebram na praia escura. O céu estava escuro naquela tarde. Nemain e Badb param de discutir e observam Morrígan. Quando compreendem a intenção da deusa, elas a seguem e são incorporadas por ela novamente. A deusa pula na água como uma sereia; ela não tinha destino certo, mas qualquer destino lhe parecia melhor que a terra de seus ancestrais, naquele momento.

Morrígan atravessa o grande Oceano, até chegar a uma ilha. A deusa chega até a praia sombria do lugar. Enquanto sai da água, Babd se transforma no corvo e vai sobrevoar a ilha, Nemain percorre a região, correndo. Morrígan mal dá dez passos na praia e Nemain já retorna.

— Esta ilha é amaldiçoada.

— O que você viu? — pergunta Morrigan enquanto caminha, com a expressão séria e concentrada de sempre.

— Há piratas do outro lado, há corpos em algumas regiões litorâneas e há uma região de cavernas sombrias. Há sinais de morte e degradação por todos os cantos desta ilha.

Morrígan fecha os olhos por alguns instantes. Ela pôde observar o interior da ilha através dos olhos de Badb.

—Você está certa. Este lugar é totalmente desolador. Há seres amaldiçoados por toda parte.

— E então? — Nemain pergunta enquanto o corvo se aproxima. Quando Badb está perto o suficiente para ouvir, Morrígan conclui.

— Gostei! Vamos ver o que esta ilha tem para nós…

As três faces da deusa sorriem e se tornam uma novamente.

A deusa das batalhas caminha entre ruínas de uma cidade muito antiga. Ela toca em uma das paredes que estavam de pé e sente o passado do lugar. Ali já viveu um povo pacífico, mas esse povo foi atacado de forma violenta e covarde, por guerreiros que vieram de longe. Morrígan sentiu todo o sofrimento vivido nas batalhas injustas travadas ali.

— Covardes… Parece que é só o que se encontra nesse mundo, covardia em excesso, medo, fraqueza… O tempo das grandes batalhas e dos grandes guerreiros parece ter se perdido pra sempre — Morrígan suspira enquanto assiste ao massacre dos primeiros habitantes da ilha.

A Natureza já havia tomado conta das construções, mas era uma Natureza obscura. Plantas carnívoras, galhos cheios de espinhos, flores escuras e venenosas. Do alto das árvores, uma presença, que mais parecia uma sombra, observava a grande deusa estrangeira. A sombra ia seguindo ao longe os passos da deusa.

Quando chega perto de uma montanha, Morrígan vê de longe o que pareciam inscrições antigas, debaixo de trepadeiras. Ela retira a vegetação com a ponta de sua espada. A sombra a observa.

— Hum… Há um templo nesta montanha. Talvez alguma divindade antiga ainda esteja por aqui.

Morrígan observa a montanha e vai andando lentamente, procurando a entrada do templo.  De repente ela para e, sem desviar os olhos da montanha, começa a falar.

— Desde que chegou, você não disse uma palavra. Saia das sombras e me indique a entrada do templo.

Uma mulher seminua, de cabelos negros e pele cor de bronze, aparece de trás das sombras da vegetação do lugar. Ela usava um colar cheio de amuletos sinistros, como orelhas, dentes e outras coisas do tipo. Havia algumas tatuagens estranhas em seu corpo e o seu olhar era enigmático.

— Você não pertencia ao povo original desta ilha, mas também não é do mesmo povo que saqueou o lugar… O que faz aqui?

— Meu povo me amaldiçoou e me entregou para os traficantes. Quando vieram me negociar na ilha, eu fugi.

— Você chegou à ilha com os piratas?

— Sim. Vivi nas cavernas por um tempo, e aprendi algumas coisas com os espíritos deste lugar.

— Você se tornou uma feiticeira.

— Não. Eu nasci assim, aqui pude aperfeiçoar minhas aptidões.

— E você tem um nome?

— Tenho, mas ainda não vou lhe dizer qual é. Sei que você é uma deusa, mas nunca ouvi falar de você.

As três faces da deusa se revelam.

— Somos Morrígan, sempre somos chamadas em batalhas, atendemos aos chamados que consideramos dignos. Minhas três faces são a morte, a fúria e a certeza da vitória.

A feiticeira olha para as três faces da deusa com grande admiração. Morrígan se torna uma novamente.

— Agora mostre-me a entrada do templo.

— Por aqui…

Quando chegam à entrada do templo, a feiticeira ajuda a deusa a retirar as plantas que cresceram ali. Morrígan entra, a feiticeira a aguarda do lado de fora.

— Você não vem?

— Não tenho permissão para entrar, mas a aguardarei aqui fora.

— Tenho certeza que sim.

Morrígan se abaixa para passar pelo corredor estreito cavado na rocha viva. As paredes internas são decoradas com relevos e pinturas, outrora visíveis em toda a sua glória, quando o interior era iluminado por tochas afixadas em suportes de pedra. O corredor é longo e lúgubre, o piso de mármore coberto de poças, parasitas e fezes de morcegos.

Um odor estranho adentra suas narinas. O ar ali é pesado, ela chega a uma câmara sombria com teto abobadado. No chão e nas paredes há estátuas de grandes morcegos com as bocas escancaradas. As figuras na verdade são dutos conectados com alguma força nefasta do subsolo, que expele constantemente vapores tóxicos. A guerreira sente seus membros tornarem-se pesados. Seu rosto inteiro vibra, seus dentes doem. Jamais se sentira oprimida daquela forma. Tomba.

Quando ergue a cabeça, vê um homem. Ao menos supõe que é um homem, pois está de torso nu e não possui seios. Todavia, também é completamente desprovido de pelos abaixo das sobrancelhas, e seu rosto tem traços incrivelmente delicados, como os de uma menina; seu corpo é algo gorducho e flácido. Criaturas voadoras, borboletas, libélulas e morcegos cabriolam em torno dele, como se estivessem brincando. O homem abre um largo sorriso. Sua pele e seus cabelos são tão brancos quanto seus dentes; seus olhos são vermelhos como sangue.

— Aceita uma bebida? — diz ele.

— Quem é você?

— Eu tenho muitos nomes, mais do que gostaria — responde, coletando um líquido turvo de um buraco nas paredes em sua mão em concha. — O povo desta ilha me chamava de Kohukan, que pode significar “Ar que Sopra”, “Vento”, “Canção”, “Riso” ou “Paz”. Você conhece o significado desta última palavra, Rainha do Pesadelo?

Morrígan o encara com uma mistura de espanto e desprezo. Não sabe o que fazer. A aura de inércia daquele lugar amarra cada nervo de seu corpo.

— Aceite uma bebida — insiste Kohukan, oferecendo-lhe a mão em concha. Miraculosamente nenhuma gota escorre entre os dedos do estranho.

Contra seus melhores instintos, ela toma a mão dele e bebe do líquido. O prazer que invade sua garganta e suas narinas é enlouquecedor. Era uma sensação como a alegria da batalha ou o deleite do sexo, mas muito mais intensificado, um sabor tão doce que era enjoativo e empanzinador; um odor tão inebriante que revirava o estômago. Sentia-se como se estivesse sendo abraçada intensamente contra sua vontade e nada pudesse fazer a respeito.

— Isso, Rainha do Pesadelo, é a Paz — diz ele. Kohukan começa a rir a ponto dos excessos de carne em sua barriga chacoalharem.

Ela se desespera, despejando um jato de vômito sobre o mármore. Quando tenta alcançar o estranho para lhe atacar, ele se torna cada vez mais distante, como se a sala crescesse. Ouve a voz melodiosa e jovial de Kohukan uma última vez:

— Sabe, a paz não é para todos, Rainha Fantasma. O mundo precisa de flautas e pincéis, mas martelos e pontas também são úteis, e você tem uma bela cabeça dura, três na verdade. Que tal martelar alguns males enquanto visita este recanto do mundo que você desconhecia?

Morrígan desperta, sentindo arrepios intensos. A cabeça lateja. Por alguma razão, a corrente de vapores está mais amena. Talvez o deus escolha apenas algumas horas do dia para aparecer. O líquido turvo ainda flui do buraco na parede, mas agora parece fétido e intragável. Cheia de dúvidas, ela sai da caverna. A feiticeira está à sua espera.

— Você viu o deus. Não posso ver o deus, sou desonrada. Nada que eu faça pode me limpar. Nada me tornará digna de ver o deus, não depois de eu ter sido tocada por ele.

“Alguns males para martelar”. Aquilo ecoa na mente de Morrígan, como um instinto.

— Quem é ele?

— O Vermelho, o maior xamã do Ermo — diz a mulher, sem inflexão na voz. — Ele domina tudo que toca, possui toda mulher que deseja. Eu me dei a ele, e quando meu marido descobriu, vendeu-me aos piratas. Gostaria de vê-los todos destruídos, cada homem… cada macho sobre a terra.

— Esse xamã fez isso a muitas mulheres? — diz Badb, com raiva no olhar.

— Ele faz — responde a feiticeira. — Ele rouba nossa honra e nossas vidas por um momento fugaz de prazer, depois nos descarta como cascas de fruta. Eu tive sorte: não engravidei.

Alguns males para martelar.

— Onde vive esse xamã? — pergunta Morrígan.

Babd segura a feiticeira pelos ombros enquanto olha profundamente em seus olhos por uns instantes, então a solta sorrindo.

— Vai ser fácil… — Babd diz ao absorver da mulher a localização de suas vítimas.

A feiticeira se assusta com um barulho na vegetação próxima.

— Piratas! — diz a feiticeira, mas antes que Morrígan tentasse fazer perguntas, a mulher se perde entre as sombras da mata.

Morrígan sente a presença das almas condenadas que se aproximavam. As três faces da deusa sorriem.

— Um breve aquecimento… — Nemain diz com satisfação.

As três faces da deusa se olham e correm para fora das ruínas, queriam lutar em campo aberto, ali seria fácil demais. Um dos piratas assobia, era um sinal para a batalha.

As Morrígan param e aguardam os homens se aproximarem, eram vários piratas, nenhum à altura da grande deusa. Eles as cercam e vão se aproximando como lobos famintos.

— Morrígan, acabe logo com isso, estou ansiosa para sentir o cheiro do sangue do maldito xamã — Nemain diz com impaciência.

Morrígan atende ao pedido de Nemain, e as três se tornam o grande lobo branco. Alguns piratas tentam atacá-lo e são imediatamente devorados; outros tentam fugir, mas o grande lobo estava voraz. Em instantes, vestígios de um banquete do inferno ficam espalhados pelo chão. O lobo corre para o litoral e Morrígan assume sua forma humana novamente.

A deusa mergulha nas águas misteriosas e parte como um turbilhão imensamente poderoso. Mesmo as criaturas sombrias que habitam entre os rochedos e recifes de coral recuam diante de seu avanço resoluto. Sobe o grande rio e emerge em uma floresta; divide-se novamente.

— Tudo isso parece muito divertido — diz Nemain, desembainhando suas espadas e beijando as lâminas, uma de cada vez, infundindo-as com as chamas frias da destruição. Descreve alguns movimentos no ar com as agudas folhas de aço mortífero. — Mas realmente viemos até aqui para vingar uma mulher fraca que nada fez por si mesma? Uma mulher que teme homens?

— Sim — diz Morrígan. — Acima de tudo porque este xamã parece ser poderoso, e um inimigo à altura. O sangue novo que queríamos. A batalha nova que queríamos.

— Se vamos vingar aquela coitada, que façamos o serviço completo, então — diz Badb, a voz fria como gelo, os olhos duros, inflexíveis. — Vamos matar o marido que a vendeu, e os homens de sua aldeia, que julgaram justo puni-la desta forma.

— Para mim parece um ótimo aquecimento para nossas espadas, antes de sairmos para caçar o xamã das águas — diz Nemain. — Vamos até lá e capamos eles feito porcos. Eles gritam tão gostoso quando você os pendura bem firme em uma árvore e começa a retalhar as partes miúdas…

— Nemain — interrompe Morrígan, cerceando-a. — A prioridade é o xamã.

— É justo, Morrígan — diz Badb.

— Por favor — diz Nemain, lambendo os beiços como um lobo faminto. — São apenas animais estúpidos. Deixa que eu me divirta com eles! Só uns cinco.

— Você sempre demora demais, Nemain.

— Está bem… — diz a fúria encarnada. — Deixe que eu me divirta apenas com o marido então. Só um. Será rápido, prometo.

A deusa testou o fio com um movimento rápido, cortando em duas uma folha de palmeira carregada pelo vento.

Morrígan assente. Badb assume a forma de corvo e seus olhos místicos revelam a aldeia que viu na mente da feiticeira. As deusas caem sobre o local como uma tempestade. Os homens tomam seus arcos e lanças e tentam armar uma resistência, mas é o mesmo que tentar agarrar a chuva com as mãos.

Morrígan atravessa três homens com estocadas da lâmina; Badb faz um floreio com a espada que corta um sujeito ao meio. Nemain se delicia fazendo inimigos aos pedaços. Um anel de dez cadáveres se forma ao seu redor rapidamente. Os olhos de corvo de Badb revelam que o homem que fora marido da feiticeira escapou, junto de outros que buscam refúgio na floresta.

Elas esmagam os fugitivos como se fossem crianças, o sangue escorrendo por suas lâminas até encharcar seus braços. Descobrem o antigo marido da feiticeira escondido atrás de uma árvore. Ele chora por misericórdia e Nemain chuta seu rosto: o homem cospe três dentes. A fúria ri enquanto remove a tanga que ele veste e o amarra à árvore pelos pés, usando cipós como cordas.

— Não se preocupe — diz ela, acariciando a espada. — É um corte bem pequeno. Não vai demorar nada.

Badb voltou, assumindo a forma humana. Nemain ainda se deleita com os agonizantes, outros três, devidamente pendurados: sua gula era impossível de satisfazer. Morrígan recebe sua face agourenta:

— Encontrou o rio?

— Sim — diz Badb, e ela surpreendentemente tinha emoção na voz e no rosto. Morrígan se pergunta se é uma sugestão de medo ou insegurança. — Minha visão atravessou as águas turvas, chegando até uma profundeza medonha. Lá embaixo há uma grande redoma de cristal; sob ela, ergue-se um pilar monumental de cristal rosa, que é a casa do xamã. Ela é guardada por milhares de soldados, monstruosidades jamais vistas em qualquer lugar de Eyre, das Hébridas, da Caledônia ou mesmo de Hy-Brasyl e das Muralhas de Gelo, onde o sol nunca se põe. Ele é capaz de conjurar o poder de todo o rio a seu favor, convertendo cardumes e bandos de garças, lontras e batráquios em verdadeiras hostes! Jamais se viu exército tão numeroso sobre a Terra!

— Parece delicioso! — grita Nemain, saltitando para perto das outras duas. Está rebocada de sangue até os cotovelos, sua armadura de couro manchada como um avental de açougueiro. — O que estamos esperando?

— Não podemos recuar agora — diz Morrígan, acariciando o ombro de Badb. — Mas precisamos de uma estratégia. — Ela volta um olhar reprovador para a sua face ruiva. — E não, Nemain, quebrar a redoma e retalhar o que aparecer em nosso caminho não é uma estratégia.

É um mergulho e tanto, e há algo de muito agourento naquelas águas. Até mesmo o frenesi insano de Nemain esfria na treva profunda. Então avistam luzes, seres de luz que pairam sobre as águas, cada vez mais numerosos. Logo avistam o colossal palácio de calcedônia bruta. Pousaram sob o piso de areia macia e seixos polidos pelo tempo. Para sua surpresa, atravessaram a redoma como se nada fosse.

— Deve ser um bloqueio apenas contra criaturas que não são infundidas de magia alguma — diz Badb.

Esgueiram-se facilmente. O pátio interno é um jardim com árvores, arbustos e flores de pedra; há muitos bons esconderijos.

— A janela alta, no leste — sussurra Badb. — É o ponto menos guarnecido. Entramos por ali e invadimos a sala do trono.

— Aí arrancamos a cabeça do xamã e estouramos para fora da redoma, retalhando o que aparecer no caminho — afirma Nemain.

Elas escalam até a janela, ocultas sob os ramos de uma alta árvore de coral. A árvore em si é uma ótima defesa contra um exército invasor, mas também é uma benção para o pequeno grupo de guerreiras. Elas saltam para dentro de um salão extenso com teto em corbel. Há peixes e caranguejos luminosos pairando entre as camadas de calcedônia, fornecendo luz oscilante ao ambiente.

Com passo rápido, elas avançam pelo corredor. Dois guardas à entrada, enormes e escamados, as bocas escancaradas e cheias de dentes agudos, são atacados por trás. Nemain quebra o pescoço do primeiro; Badb e Morrígan cortam o pescoço do outro com precisão cirúrgica.

Não sabem que cometeram um erro. O sangue derramado toca as superfícies sensíveis das paredes e do piso. Imediatamente, o palácio-fortaleza começa a rugir: primeiro um leve tremor, depois um zumbido crescente. Está dado o alarme.

As três correm com toda a força de suas longas pernas. A visão de Badb as conduz pelo caminho certo em meio aos corredores labirínticos, mas os inimigos chovem sobre elas. Elas varrem os corredores, suas espadas correm como arados sangrentos pelas forças que o príncipe convoca contra elas, mas os inimigos parecem brotar do chão, como se emergissem de uma fonte inesgotável de monstros: serpentes com braços e torso de mulher, homens-sapos, caimões e tartarugas vestindo armaduras pesadas.

A estreiteza dos corredores contribui para as invasoras, reduzindo a efetividade dos numerosos guardas. Morrígan salta e atravessa dois homens escamosos com sua lâmina cruel, a qual gira e ergue num floreio que rasga os dois das tripas ao pescoço. Gira de novo, com velocidade sobre-humana desta vez contra um inimigo de carapaça: falha em tirar-lhe sangue, mas a força do golpe basta para esmagar os ossos sob a armadura. Um homem-sapo de pele pegajosa estende sua língua, enrolando o pescoço de Morrígan; está prestes a roubar-lhe as forças, mas Badb acorre e enfia sua lâmina maligna entre as coxas do inimigo. A língua afrouxa e volta à boca como uma mola, à medida que o batráquio grita em agonia. Nemain salta e desce com velocidade incrível, afundando os pomos de suas espadas no crânio dele; recupera-se, com uma graça que parece impossível para uma mulher de seu porte. Abre caminho com suas duas espadas, manejando-as como uma tesoura brutal, separando cabeças de ombros, fazendo cair braços, atravessando corações.

Elas avançam pelos corredores, mas os inimigos rastejam e saltam de cada abertura. Badb sente medo pela primeira vez em sua vida; seu braço está exausto, seu rosto pálido coberto de sangue. Morrígan tenta manter seus pensamentos em ordem, conduzindo as demais; começa a crer que sua lâmina sobrenatural está prestes a ceder – amaldiçoa a arma quando vê que o aço está lascado.

Apenas Nemain parece estar em seu elemento, ganhando velocidade e força. Move as lâminas com tal intensidade que elas perdem o fio. Mesmo assim, maneja-as como grandes clavas de ferro, esmagando cabeças, mãos e espinhas.

— Finalmente! — diz Badb, praticamente um suspiro de alívio.

Chegam à câmara principal do palácio. Sentado em um trono verde e vermelho, está o xamã, um rei das águas, um homem belíssimo e forte, de pele rosada, cabelos ruivos e olhos azuis, vestindo apenas um cendal de seda vermelha e joias de coral. Na mão direita, ele porta um cetro entalhado em uma presa de animal.

— Quantas belas criaturas, ou devo dizer criatura? — diz ele, erguendo-se do trono. É um homem extremamente forte e delicado ao mesmo tempo, com rosto de menino, corpo de guerreiro e o desejo de um macho desenfreado. — Uma mulher com três bocas, seis peitos e seis coxas é mesmo algo muito promissor.

As deusas arremetem contra o alvo, mas ele desvia de seus golpes com movimentos acrobáticos. Ao mesmo tempo, os servos se avolumam ao seu redor como uma praga. Muitos param de atacar e apenas assistem enquanto seu senhor luta magistralmente.

— Uma menina que gosta de brincar com facas — diz ele, esquivando-se de um golpe em tesoura de Nemain.

Ele golpeia a cabeça ruiva com seu cetro, liberando uma faísca coruscante. A fúria cai no chão sem vida, os olhos vazios. Morrígan sente seu rosto arder. O corpo da fúria desfaz-se em fogo. A deusa grita com toda a fúria do submundo.

— Badb, não!

Badb descreve um golpe descendente com sua espada, que o xamã apara com seu cetro. O metal da lâmina começa a se retorcer e entra em combustão. Uma lasca feroz voa e se aloja entre os olhos, atravessando o crânio até a nuca. Uma nuvem de plumas negras explode no ar.

Morrígan chora de dor. Seu corpo reage como se estivesse perdendo membros. Ela cai no chão, destruída, trêmula. Males para martelar, força! O xamã se prepara para consumar seu triunfo. Retira o cendal e exibe sua nudez sequiosa. Encobre o corpo da invasora, esbofeteando-a, rasgando sua túnica de couro e seus trajes inferiores de linho a dentadas. Pensamentos atormentam-na, aprisionados no corpo inerme.

— Você é uma divindade estrangeira… Aqui, sou mais forte que você — diz o xamã, que então força-se entre as coxas pálidas, suadas e convulsivas da deusa, enquanto seus súditos o saúdam como o macho alfa que é.

Males a martelar!

Morrígan desperta como uma mola, prendendo suas mandíbulas em torno do pescoço musculoso do xamã príncipe. Com a força que lhe resta, tira sangue daquele ser nefasto, e aprecia o sabor. Ele tenta bater na inimiga, tenta invadir seu corpo a todo custo, mas ela convoca suas últimas energias: é uma loba. Ela sabe que está no fim de suas forças, e o fere como se não houvesse depois. A deusa olha profundamente nos olhos do xamã, ele sente um frio arrepiante em todo o corpo, mas antes que pudesse ter algum tipo de reação, Morrígan começa a deixar sua forma terrestre e o rei do mundo aquático sente o terror da maldição da deusa estrangeira.

Quando ela se desfaz em névoa pálida, o xamã está arruinado em uma poça de sangue. Viverá, mas está arruinado.

Ela vem, a Loba, arranca suas pernas e devora seu corpo pouco a pouco, das tripas moles aos ossos. Ele acorda, suando frio, em seu leito palaciano. O xamã teria pesadelos com a Loba pelo resto de sua longa vida.

Morrígan corre por campos verdes, há inimigos se aproximando, e suas faces-irmãs estão lá, ao seu lado. Segue-se o brado da guerra e o choque dos escudos. Nemain e Babd vão à frente, correndo e matando com prazer, Morrígan assiste à cena um pouco, apreciando uma batalha como tantas que já travou; ela vê várias divindades em campo, são seres de coragem e força eternas, são deuses da guerra em seu verdadeiro lar. A grande guerreira sorri, então grita forte e se entrega à sua essência.

A encarnação da deusa fora destruída, mas a certeza da vitória vive para sempre.

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V. M. Gonçalves é autor de A Canção de Quatrocantos.

Francélia Pereira é autora de Habitantes do Cosmos.

*Ilustrações retiradas da internet. Não foram encontradas as indicações de autoria.